PARA QUEM QUISER CONHECER CHÁVEZ SEGUNDO IGNACIO RAMONET
Ignacio Ramonet: “Chávez es, desde Fidel Castro, el único líder universal”
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
MANUEL TEIXEIRA GOMES
Ontem, no programa de televisão a Quadratura do Circulo, António Costa para justificar o regresso de Sócrates à política disse, que não conhecia ninguém que tivesse assumido um cargo de Estado e mais tarde se tivesse afastado completamente da politica.
Esqueceu-se de Manuel Teixeira Gomes, sétimo presidente da I República, o "exilado de Bougie", como ficou conhecido depois da obra de Norberto Lopes.
É de Paris que Afonso Costa sugere a candidatura deste intelectual para Presidente da República Portuguesa. Eleito a 6 de Agosto de 1923 resigna ao cargo em 1925 e exila-se voluntariamente na Argélia, mais concretamente no Bougie, onde fica até ao fim dos seus dias (1941), nunca mais tendo regressado à política ou à sua terra natal, desgostou-se da intriga e do maldizer próprio dos inimigos e dos jornais.
Inclusive, como a Sócrates, foi - lhe insinuada uma tendência homossexual, ele que tinha no seu currículo várias relações com o sexo oposto.
Inclusive, como a Sócrates, foi - lhe insinuada uma tendência homossexual, ele que tinha no seu currículo várias relações com o sexo oposto.
Nasceu no ano de 1860, em Portimão e cedo o pai, rico negociante algarvio viu que o seu filho nunca terminaria o curso de Medicina sendo a sua inclinação para a vida artística. Conheceu e travou amizade com os artistas da época, entre eles Columbano a que pertence o quadro acima exposto.
Filho de rico industrial algarvio, viajou por muitos países chegando a tratar dos negócios da família ( exportação de figos).
Republicano desde muito novo, aceitou o cargo de ministro em Londres após a revolução do 5 de Outubro, aí teve um papel importante nas relações com a Monarquia Inglesa, devido aos fracos recursos financeiros da nova Republica, paga do seu bolso a um secretário inglês para o ajudar na sua tarefa diplomática.
Adepto da intervenção militar portuguesa na Primeira Guerra Mundial, representou o País na Conferência de Versalhes e na Sociedade das Nações.
No seu exílio, em Argel, retomou a escrita publicando vários ensaios e novelas. Os seus escritos sobre viagens e memórias são hoje reconhecidos de uma beleza raras vezes atingida na literatura portuguesa.
Norberto Lopes, no prefácio de "O Exilado de Bougie", escreveu: "Pudera eu traçar-lhe o perfil que fosse digno da sua personalidade requintada, sóbria, simples como a de um grego do século de Péricles, magnânimo e brilhante como a de um príncipe florentino da Renascença"
Morre em 1941, aos 81 anos, num quarto de um hotel modesto no Bougie perto de Oran.
Segundo, Norberto Lopes, a dona do hotel ficou admirada de ter como hospede durante anos um Presidente duma República.
A Quadratura do Ciclo fez me recordar este vulto da História de Portugal, mas na realidade nada tem a ver com José Sócrates.
Filho de rico industrial algarvio, viajou por muitos países chegando a tratar dos negócios da família ( exportação de figos).
Republicano desde muito novo, aceitou o cargo de ministro em Londres após a revolução do 5 de Outubro, aí teve um papel importante nas relações com a Monarquia Inglesa, devido aos fracos recursos financeiros da nova Republica, paga do seu bolso a um secretário inglês para o ajudar na sua tarefa diplomática.
Adepto da intervenção militar portuguesa na Primeira Guerra Mundial, representou o País na Conferência de Versalhes e na Sociedade das Nações.
No seu exílio, em Argel, retomou a escrita publicando vários ensaios e novelas. Os seus escritos sobre viagens e memórias são hoje reconhecidos de uma beleza raras vezes atingida na literatura portuguesa.
Norberto Lopes, no prefácio de "O Exilado de Bougie", escreveu: "Pudera eu traçar-lhe o perfil que fosse digno da sua personalidade requintada, sóbria, simples como a de um grego do século de Péricles, magnânimo e brilhante como a de um príncipe florentino da Renascença"
Morre em 1941, aos 81 anos, num quarto de um hotel modesto no Bougie perto de Oran.
Segundo, Norberto Lopes, a dona do hotel ficou admirada de ter como hospede durante anos um Presidente duma República.
A Quadratura do Ciclo fez me recordar este vulto da História de Portugal, mas na realidade nada tem a ver com José Sócrates.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
LAGRIMAS DE CROCODILO
Lágrimas de Crocodilo
Lágrimas de Crocodilo são as vertidas pelos governantes italianos e europeus, perante a tragédia dos emigrantes e refugiados africanos que tentam desesperadamente chegar à Europa, fugidos da fome e da guerra.
Quando em Maio de 2008 o governo italiano aprovou o chamado "Pacote de Segurança", que tipificava como delito a imigração clandestina e crime, com pena de prisão, a quem ajudasse estrangeiros em situação irregular e isto com o aval dos governos e autoridades europeias. Onde estava a indignação?
O Governo Católico de Espanha deixou sem assistência sanitária quase 900.000 imigrantes. Aonde estava a dor?
A França, terra da Igualdade,Liberdade e Fraternidade, expulsa ciganos romenos porque incomoda a sua maneira diferente de viver. Onde estava a fraternidade?
O que é que as instâncias europeias fizeram?
Em Portugal o apoio aos poucos refugiados é reduzido. O que fizemos?
O Papa Francisco, filho de emigrantes, rezou e chorou os mortos em Lampedusa. Mas nós europeus não nos devíamos ter indignado antes, ao vê-los chegar, às praias do mediterrâneo, pobres vindos de nações ricas. Países com enormes recursos naturais e empobrecidos pela voracidade das grandes multinacionais, com a cumplicidade das oligarquias locais aliadas dos governos europeus.
Devíamos ter gritado quando vimos que a ajuda Norte/Sul se transformou numa grande farsa e resultou numa maior exploração destes povos condenando-os à miséria, são eles que mais tarde desesperados naufragam nas nossas águas.
Lampedusa, ou tantos outros casos que nem sequer conhecemos, são a vergonha desta Europa desumanizada e egoísta espelho das sucessivas politicas levadas metodicamente a cabo pelos seus governos. Os ideais de solidariedade e de capacidade de revolta perante as injustiças gritantes que se desenrolam aos nossos olhos, foram destruídos. Os povos da Europa solidária deram origem ao individualismo e à indiferença do que se passa com o vizinho do lado, para que de mãos dadas nos deixemos docilmente empobrecer, humilhar ou inclusive matar.
A politica neoliberal e o poder financeiro que comanda o mundo conseguiu, como nunca na nossa história recente, a concentração das riquezas nas mãos de muito poucos, são os tais 1%, que falam os indignados norte americanos. Empobrecem nações, mesmo na Europa, como acontece com Portugal, Grécia e Irlanda.
A contra revolução neoliberal não é só financeira mas também filosófica, desejam o aparecimento do homem novo, inculto, egoísta obediente e apolítico.
Margaret Thatcher, exprimiu -o, sem sombras de dúvidas, quando dizia que o objectivo era "mudar a alma" para que no mundo exista não uma sociedade mas indivíduos.
O Papa foi a Lampedusa e acompanhado de um mar de gente cristã rezou e chorou os perto de 500 mortos. Mas não se pode ficar por aqui, cristãos e não cristãos temos de combater as politicas neoliberais, reconquistar a humanidade que temos vindo a perder e começar a criar uma sociedade nova.
Temos de fazer jorrar de dentro de nós o que há de autenticamente humano, repudio à injustiça, revolta, amor, solidariedade, são os únicos sentimentos de onde podem nascer a consciência e a mobilização necessária para acabar com vergonhas como as de Lampedusa.
Quando em Maio de 2008 o governo italiano aprovou o chamado "Pacote de Segurança", que tipificava como delito a imigração clandestina e crime, com pena de prisão, a quem ajudasse estrangeiros em situação irregular e isto com o aval dos governos e autoridades europeias. Onde estava a indignação?
O Governo Católico de Espanha deixou sem assistência sanitária quase 900.000 imigrantes. Aonde estava a dor?
A França, terra da Igualdade,Liberdade e Fraternidade, expulsa ciganos romenos porque incomoda a sua maneira diferente de viver. Onde estava a fraternidade?
O que é que as instâncias europeias fizeram?
Em Portugal o apoio aos poucos refugiados é reduzido. O que fizemos?
O Papa Francisco, filho de emigrantes, rezou e chorou os mortos em Lampedusa. Mas nós europeus não nos devíamos ter indignado antes, ao vê-los chegar, às praias do mediterrâneo, pobres vindos de nações ricas. Países com enormes recursos naturais e empobrecidos pela voracidade das grandes multinacionais, com a cumplicidade das oligarquias locais aliadas dos governos europeus.
Devíamos ter gritado quando vimos que a ajuda Norte/Sul se transformou numa grande farsa e resultou numa maior exploração destes povos condenando-os à miséria, são eles que mais tarde desesperados naufragam nas nossas águas.
Lampedusa, ou tantos outros casos que nem sequer conhecemos, são a vergonha desta Europa desumanizada e egoísta espelho das sucessivas politicas levadas metodicamente a cabo pelos seus governos. Os ideais de solidariedade e de capacidade de revolta perante as injustiças gritantes que se desenrolam aos nossos olhos, foram destruídos. Os povos da Europa solidária deram origem ao individualismo e à indiferença do que se passa com o vizinho do lado, para que de mãos dadas nos deixemos docilmente empobrecer, humilhar ou inclusive matar.
A politica neoliberal e o poder financeiro que comanda o mundo conseguiu, como nunca na nossa história recente, a concentração das riquezas nas mãos de muito poucos, são os tais 1%, que falam os indignados norte americanos. Empobrecem nações, mesmo na Europa, como acontece com Portugal, Grécia e Irlanda.
A contra revolução neoliberal não é só financeira mas também filosófica, desejam o aparecimento do homem novo, inculto, egoísta obediente e apolítico.
Margaret Thatcher, exprimiu -o, sem sombras de dúvidas, quando dizia que o objectivo era "mudar a alma" para que no mundo exista não uma sociedade mas indivíduos.
O Papa foi a Lampedusa e acompanhado de um mar de gente cristã rezou e chorou os perto de 500 mortos. Mas não se pode ficar por aqui, cristãos e não cristãos temos de combater as politicas neoliberais, reconquistar a humanidade que temos vindo a perder e começar a criar uma sociedade nova.
Temos de fazer jorrar de dentro de nós o que há de autenticamente humano, repudio à injustiça, revolta, amor, solidariedade, são os únicos sentimentos de onde podem nascer a consciência e a mobilização necessária para acabar com vergonhas como as de Lampedusa.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Que comunicação mais actual esta de Guilherme Enes em 8 de Fevereiro de 1916.
" Bem se compreende que a química possua gases asfixiantes e que seja apta para preparar outros mais" e foi quanto caminho andado, desde aqui, na descoberta de armas químicas, cada vez mais destruidoras, a maioria das vezes por cientistas alemães. ( vidê post de Setembro: O Nobel e as armas químicas)
O palestrante fala-nos sobre os gases perigosíssimos de respirar: - O bromo e o cloro liquido- e de outros que produzem grande fumaceira e se condensam logo em tenuíssimas vesículas extremamente finas. O anidrido sulfúrico é o que produz mais fumaça, mas é menos tóxico que os vapores do acido clorídrico, do ácido bromídrico, ou do peróxido de azoto.
Mais adiante o autor diz:-" Os gazes fétidos e asfixiantes como arma de guerra não devem ser alardes do narcizismo(sic) alemão. Nem lhes ficaria bem." Gosto, como se diz agora nas redes sociais.
" Todos aqueles produtos, e outros muitos da mesma classe, eram há longo tempo e para usos vários, preparados em grande na Alemanha. A questão estava toda em reconhecer quais deles atacavam o ferro ou o aço e aqueles que seriam inofensivos para os envoltórios desta natureza. Estes últimos é que estavam na afinação de marchar com bombas. E, estão marchando; sendo a razão acima dita que talvez explica a prioridade dos alemães no emprego desta sinistra arma de guerra.
A ciência ao serviço da guerra levou depois da II Guerra Mundial à separação das comunidades cientificas, nomeadamente com o isolamento dos cientistas alemães e os programas secretos de investigação das várias potencias.
Justifica-se, ainda hoje, que os investigadores escondam as suas descobertas da comunidade científica internacional em nome de um patriotismo? É a questão que deixo em suspenso.
Ou como dizia Einstein, antigamente tínhamos objectivos perfeitos mas meios imperfeitos. Hoje temos meios perfeitos e grandes possibilidades, mas objectivos confusos.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
O bloguer antes do blogue
Fernando Henriques Vaz foi um médico, creio que dentista, amigo e colega de curso do meu pai, como reza o livro de curso do V ano médico de Lisboa, 1935/1936.
" Médico e jornalista, alma bondosa,/E cheio de talento/ Estou a vê-lo, dedicado e forte/Na senda dolorosa/Do sofrimento/A dar alívio à dor, combate à morte!" escreveu o seu amigo José Augusto de Castro no já citado livro de curso.
Lembra-me dele passar no consultório da António Augusto de Aguiar, para entregar ao meu pai mais um dos seus Quadros Incompletos, todos edição de autor, compostos e impressos numa tipografia no Bombarral.
Ao ler estas crónicas soltas, pensei aqui está:- um bloguer antes da invenção do blogue e da internet.
Numa das suas crónicas descreve com muita minúcia a sua iniciação no Grande Oriente Lusitano, já na clandestinidade, o que não deixa de ter o seu valor histórico.
Hoje, vou falar-vos sobre o que ele chamou de "Tertúlia Famosa" dados sobre a história do 28 de Maio.
Cito:-"Foi-me narrado pelo Sr. Almirante Mendes Cabeçadas que quem chefiava superiormente a Marinha e a revolução era ele e a ele cabia dar o sinal do barco em que ele estaria, como deu, e o Sr. General Alves Roçadas chefiava o exército e iria comandar as forças de Braga." Porém, o General adoeceu e foi-se adiando o dia da revolução. Como ele nunca mais se levantou da cama"...ofereceram insistentemente o comando ao Sr. General Carmona que sempre recusou. Convidaram,então, o Sr General Gomes da Costa que também recusou e só aceitou quando muito ferido no seu brio pessoal pelo próprio Almirante, pelo tenente Pereira de Carvalho, de Braga e muitos outros."
Foi como se sabe Gomes da Costa que comandou os revoltosos.
Prossegue a crónica:-" Nunca o Sr. Almirante quis esclarecer-me uma coisa que me intrigava altamente: - Porque esperou aquele tempo na Amadora?( Segundo uns 7 dias, segundo outros 9, Ele já não precisava) - Esperava por Costa Gomes, dizia" A resposta vêm-lhe de um artigo, publicado num jornal de Coimbra, do Tenente-coronel Alcides: -" Ética militar, compromissos anteriores e camaradagem mas também porque não estava assente qual seria o Presidente da República. Uns queriam o General Roçadas e outros o Almirante Cabeçadas. Portanto, agora que Roçadas estava às portas da morte, os revoltosos que decidissem. E esperou".
"-Porque não tentou vencer o "golpe de estado" que o destituiu?
Porque eles eram revoltosos do 28 de Maio, eram-no por influencia minha e portanto reconheci que não se devia esmagar, dias depois, como poderia ter feito, uma vez que tinha comigo toda a guarnição militar de Lisboa, a aviação e os fuzileiros navais."
" - Também me confessou que quando se encontrou com o Dr. Bernardino Machado, e por convocação dele, para lhe fazer a entrega de todos os poderes, logo se arrependeu da sublevação, mas não arrepiou caminho porque tinha empenhada a sua palavra nela e porque, isso, equivalia a ter de se bater com os amigos e com quantos ele revoltara. Uma traição! E não podia ser!...,dizia."
Também nunca acreditou que tivesse sido o Gomes da Costa a destitui-lo 13 dias depois.
HOMEM e MILITAR de Palavra.!
Este pequeno ou grande episódio , mostra -nos à evidência que o 28 de Maio não foi um intentona fascista, como muitas vezes se escreve. Porém, estas e outras hesitações abriram as portas ao fascismo que ficou 48 anos.
Oh Cabeçadas! Grande asneira que fizeste! dizia-lhe, mais tarde, o seu amigo e companheiro de armas o Almirante Tito de Morais.
" Médico e jornalista, alma bondosa,/E cheio de talento/ Estou a vê-lo, dedicado e forte/Na senda dolorosa/Do sofrimento/A dar alívio à dor, combate à morte!" escreveu o seu amigo José Augusto de Castro no já citado livro de curso.
Lembra-me dele passar no consultório da António Augusto de Aguiar, para entregar ao meu pai mais um dos seus Quadros Incompletos, todos edição de autor, compostos e impressos numa tipografia no Bombarral.
Ao ler estas crónicas soltas, pensei aqui está:- um bloguer antes da invenção do blogue e da internet.
Numa das suas crónicas descreve com muita minúcia a sua iniciação no Grande Oriente Lusitano, já na clandestinidade, o que não deixa de ter o seu valor histórico.
Hoje, vou falar-vos sobre o que ele chamou de "Tertúlia Famosa" dados sobre a história do 28 de Maio.
Cito:-"Foi-me narrado pelo Sr. Almirante Mendes Cabeçadas que quem chefiava superiormente a Marinha e a revolução era ele e a ele cabia dar o sinal do barco em que ele estaria, como deu, e o Sr. General Alves Roçadas chefiava o exército e iria comandar as forças de Braga." Porém, o General adoeceu e foi-se adiando o dia da revolução. Como ele nunca mais se levantou da cama"...ofereceram insistentemente o comando ao Sr. General Carmona que sempre recusou. Convidaram,então, o Sr General Gomes da Costa que também recusou e só aceitou quando muito ferido no seu brio pessoal pelo próprio Almirante, pelo tenente Pereira de Carvalho, de Braga e muitos outros."
Foi como se sabe Gomes da Costa que comandou os revoltosos.
Prossegue a crónica:-" Nunca o Sr. Almirante quis esclarecer-me uma coisa que me intrigava altamente: - Porque esperou aquele tempo na Amadora?( Segundo uns 7 dias, segundo outros 9, Ele já não precisava) - Esperava por Costa Gomes, dizia" A resposta vêm-lhe de um artigo, publicado num jornal de Coimbra, do Tenente-coronel Alcides: -" Ética militar, compromissos anteriores e camaradagem mas também porque não estava assente qual seria o Presidente da República. Uns queriam o General Roçadas e outros o Almirante Cabeçadas. Portanto, agora que Roçadas estava às portas da morte, os revoltosos que decidissem. E esperou".
"-Porque não tentou vencer o "golpe de estado" que o destituiu?
Porque eles eram revoltosos do 28 de Maio, eram-no por influencia minha e portanto reconheci que não se devia esmagar, dias depois, como poderia ter feito, uma vez que tinha comigo toda a guarnição militar de Lisboa, a aviação e os fuzileiros navais."
" - Também me confessou que quando se encontrou com o Dr. Bernardino Machado, e por convocação dele, para lhe fazer a entrega de todos os poderes, logo se arrependeu da sublevação, mas não arrepiou caminho porque tinha empenhada a sua palavra nela e porque, isso, equivalia a ter de se bater com os amigos e com quantos ele revoltara. Uma traição! E não podia ser!...,dizia."
Também nunca acreditou que tivesse sido o Gomes da Costa a destitui-lo 13 dias depois.
HOMEM e MILITAR de Palavra.!
Este pequeno ou grande episódio , mostra -nos à evidência que o 28 de Maio não foi um intentona fascista, como muitas vezes se escreve. Porém, estas e outras hesitações abriram as portas ao fascismo que ficou 48 anos.
Oh Cabeçadas! Grande asneira que fizeste! dizia-lhe, mais tarde, o seu amigo e companheiro de armas o Almirante Tito de Morais.
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Morreu o General Vo Nguyen Giap Herói do Vietname.
LEMBRAM-SE A OFENSIVA DO TETE 1968
Morreu aos 102 anos de idade, uma figura central na vitória do Vietnam. Primeiro contra o colonialismo francês e depois contra os norte-americanos, à época o maior e mais bem apetrechado exército do Mundo.
Desde muito jovem iniciou a luta pela libertação do seu país em várias organizações clandestinas.
Foi preso em 1930 e condenado a 3 anos de prisão, foi libertado meses mais tarde.
Entrou para a Universidade de Hanói em 1933 de onde é expulso passados 2 anos por agitação revolucionária. Na universidade conheceu Dang Xuan Khu, que mais tarde utilizou o pseudónimo de Truong Chinh, o principal ideólogo do Comunismo Vietnamita. Foi ele que recrutou Giap para o Partido Comunista. Consegue terminar os seus estudos em Direito. Publica o seu primeiro livro em 1939, juntamente com Truong Chin, intitulado A QUESTÃO CAMPONESA que aborda o tema da aliança operária/camponesa. No ano seguinte o Partido Comunista da Indochina foi proibido e teve de fugir para a China onde conheceu Ho Chi Minh, aqui estuda a tese da guerra de guerrilha e a guerra popular prolongada. Tese que irá aplicar habilmente no seu país.
A polícia francesa prendeu a sua esposa e a sua irmã e usou-as como reféns para pressionar Giap a render-se. A repressão foi feroz a sua irmã foi guilhotinada e a sua esposa condenada a prisão perpétua, tendo morrido na prisão devido às torturas sofridas. Os colonialistas franceses não ficaram por aqui, mataram o seu filho recém-nascido, o seu pai, duas irmãs e outros parentes. Em 1941, funda com Ho Chi Minh o Dong Minh, mais conhecido por Vietminh ( Liga para a independência do Vietnam) uma Frente de Libertação Nacional. Neste mesmo ano entra no Vietnam e inicia a guerra de guerrilhas. Junta forças guerrilheiras dispersas e forma um exército capaz de expulsar os franceses. Começa uma campanha de propaganda e recrutamento transformando os agricultores em guerreiros conjugando o treino militar à educação politica. Em 1945, já tinha 10 mil homens sob o seu comando e derrota os japoneses que ocupavam todo o sudeste da Ásia. Com Ho Chi Minh conduz as suas forças para Hanoi e declara a independência do Vietname. Vence as tropas francesas na célebre batalha de Dien Bien Phu, em 7 de Maio de 1954, nem a ajuda dos bombardeiros americanos conseguiram salvar o exercito imperialista francês.
Pela primeira vez na História um país feudal e uma agricultura debil vence um exército experiente e apoiado numa industria próspera e moderna de guerra. Generais franceses conhecidos foram humilhados um após outro. Paris cedeu e os acordos de Paz resultam na divisão do Vietname. O General Giap foi nomeado Ministro da Defesa do Vietname do Norte, como tal volta a conduzir a luta contra os novos invasores utilizando a guerra de guerrilhas. Os primeiros soldados americanos morrem quando a 8 de Julho de 1959 se deu o ataque a uma base militar a nordeste de Saigão. Quatro presidentes norte - americanos lutaram contra o Vietnam, deixando o rastro de sangue de 57.690 americanos mortos e 600 mil soldados vietnamitas. Os Estados Unidos abandonam o país em 1973. A reunificação do Vietname, dois anos depois, acontece quando um tanque do exército revolucionário derrubou o muro da embaixada dos EUA e os últimos invasores fugiram à pressa de helicóptero do telhado do edifício.
Ainda hoje as tácticas de guerrilha de Giap são uma das fontes para o estudo de estratégias militares mundiais
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Eleições na Ordem dos Médicos

Vou concorrer ao Conselho Regional da Ordem dos Médicos, numa lista alargada que reúne todas aqueles que apoiam incondicionalmente o Serviço Nacional de Saúde Constitucional, na defesa dos doentes e dos profissionais de saúde.
O SNS é a maior realização da Democracia Portuguesa por isso é nossa obrigação lutar por ele.
O SNS tem sofrido os ataques dos governantes com as politicas de austeridade impostas e também da Europa com as exigências do novo tratado Europeu ( "compacto fiscal")
Informo os meus seguidores que vou deixar de escrever com tanta regularidade no blogue, pelo menos até dia 18 de Outubro data para a entrega das listas a concorrer
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