quarta-feira, 14 de março de 2018
quinta-feira, 1 de março de 2018
Galinha Turista
A Galinha turista
A pedido de vários seguidores, retomo
a escrita sobre estas historietas passadas em países distantes.
O José,
transmontano de várias gerações e de boa cepa, exilado em terras helvéticas,
suportava bem o frio e a neve do longo Inverno, pois já tinha sofrido temperaturas
muito baixas na sua região.
Terra
conhecida por ter nove meses de inverno e três de inferno, infelizmente sem as
condições mínimas para guardar o calor do corpo, o que torna rija as gentes aí
nascidas.
O sítio onde
apanhei mais frio foi na Lixa, numa casa desabitada, quando andei fugido da
PIDE, e muito mais tarde nas campanhas de dinamização cultural, em Sernancelhe,
durante o inverno de 75. Aí, eu ressenti o mesmo frio que gela os ossos.
À noite, os
lençóis da cama estavam alagados e a Dona Emília, cozinheira e parteira do
hospital, entre muitos mais atributos, passava-os carinhosamente a ferro, antes
de nos deitarmos.
Voltemos ao
nosso amigo José. As grandes saudades que ele tinha da terra eram da comida, do
cheiro do fumeiro e do paladar apurado.
Por nunca na
vida trocaria um bom presunto por uma fondue
de queijo. Que raio de povo em que as especialidades culinárias são queijo
aquecido ou queijo com batatas cozidas (raclette)
e de entrada a viande séchée,
comentava.
O José
andava triste, não sentia falta do mar, como acontecia a muitos outros patrícios, pois
como dizia “nunca tinha visto um transmontano com saudades do mar”, mas o que lhe
faltava eram os petiscos da sua terra.
Os pais do
José quiseram fazer-lhe uma surpresa e, nas férias de verão, partiram das
serranias em direção à Suíça, em caravana, com uma galinha do campo.
Nas inúmeras
paragens obrigatórias até aos Alpes, soltavam o galináceo que, apesar de ter o
seu destino traçado, regalava -se com o milho espanhol e francês.
Chegados à
fronteira, os guardas suíços (não são os do Vaticano) implicaram com a pobre
galinha e perguntaram pelas vacinas do animal.
Ils sont fous
ces suisses !! Onde é que já se viu vacinar galinhas e ainda nem se falava
da gripe das aves.
Os pais do
José não tiveram problemas e, dando razão à fama do desenrascanço luso, deram
meia volta, pararam na localidade francesa mais próxima e mataram o bicho, que entrou clandestinamente na Suíça em forma
de arroz de cabidela.
NOTA: Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência
NOTA: Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência
segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
Qualquer criança normal de 2 a 4 anos fará uma tentativa de trepar pelas barras horizontais da varanda
Este tipo de construção é muito comum no nosso país, assim como o numero de quedas de crianças em prédios
Existem países onde nas vistorias dos prédios é obrigatório o aval da sociedade de pediatria.
Se este tipo de varanda com barras horizontais fosse proibido muitas crianças ainda estariam vivas ou sem lesões permanentes de graves traumatismos craneanos
.
CULTURA DE PREVENÇÃO
A Cultura da Prevenção
Mais vale
prevenir que remediar, assim diz o povo. Mas, infelizmente, neste cantinho à
beira mar plantado, atravessado por muitos povos, não passa de uma frase feita.
Não sei se a
culpa é da nossa herança judaico-cristã ou se daqueles outros povos que
trouxeram até nós o fado.
A verdade é
que para nós todos os acidentes que acontecem são azares. Já estava fadado. Bem
podem especialistas de várias áreas explicarem que o centro de convívio de Vila
Nova da Rainha tinha muitos erros de construção: chaminé da salamandra mal
colocada, esferovite e outros materiais inflamáveis colocados entre o tecto e o
telhado, porta que abria para dentro, porta sem barras de segurança, falta de
sinalética, etc..
Bem podem
explicar as causas dos incêndios florestais, dos acidentes rodoviários e como
se pode e deve prevenir, mas não serve de nada.
A verdade é
que as vistorias não são feitas ou se são não se cumprem as indicações e os
regulamentos, a reforma florestal não é feita, não se investe em prevenção na
saúde, etc.
O mal só
acontece aos outros. Mas prevenção de acidentes nunca. Claro que os custos para
remediar a falta de prevenção são muito maiores. Mas o país é rico…
Porém, nem
todos pensam assim. Senão vejamos, a seguir ao desastre do centro de convívio
de VN da Rainha, o Presidente da República disse que tudo estava em ordem, as
vistorias tinham sido realizadas e foi um azar a porta abrir para dentro e a
outra porta não estar visível (parece até que estava fechada a sete chaves).
Quando foi
dos incêndios em Pedrogão, no primeiro dia, o Presidente Marcelo entrou de
rompante para dirigir-se aos populares. Um membro da proteção civil disse-lhe
em bom som: "Sr. Presidente é perigoso ir por aí", pois foi por ali
que ele foi.
Bem pode a
Direção Geral de Saúde publicar lindos folhetos sobre o risco de acidentes na
terceira idade com pavimentos escorregadios em casa ou na rua ou com as
varandas perigosas espalhada em prédios por todo o país que poucos ligam.
Gastam-se
milhões de euros a curar o que falha na prevenção. Todos os anos assistimos a
mortos, feridos, estropiados por incúria de quem nos governa.
Por mais
aviões e água que se gaste a apagar fogos, não resolvemos os incêndios
florestais. Por mais obras que se façam sem vistorias competentes e exigência
de cumprimento de regulamentos, todos os anos vamos ter edifícios assassinos (ponte
de Entre-os-Rios, salas em Vila Nova da Rainha, estádios de futebol, queda de
crianças de andares e de idosos em suas casas ou nas ruas e o rol não tem fim).
Por mais leis e regulamentos aprovados se não houver fiscalização tudo irá
continuar na mesma. O combate à ignorância e à falta de cultura da prevenção,
que não é mais que o desrespeito pelos outros, deve começar desde o berço e
seguir por toda a vida e, Sr. Presidente, não podemos esquecer que o exemplo
vem de cima.
Como já
alguém disse, não se pode inventar um povo. O grande problema consiste em
interpretá-lo e esclarecê-lo.
quinta-feira, 25 de janeiro de 2018
A
FUGA DE CEREBROS
"Este
parte, aquele parte e todos e todos se vão ...."
Cantar da emigração
Os mais velhos lembram-se,
ainda, da magnifica voz de Adriano Correia
de Oliveira que interpretou o Cantar de Emigração com letra de Rosália
de Castro e música de José Niza.
A saída massiva de jovens
sobretudo do Norte de Portugal e da Galiza, fugidos da fome e da guerra
colonial, zonas castigadas pelo êxodo, regiões que ficaram sem homens "que
podem cortar teu pão".
Nos anos sessenta Paris era
considerada a segunda cidade do país, com maior concentração de
portugueses.
Uma semana antes de passar a
fronteira a salto para fugir de ser preso pela PIDE, tinham atravessado de uma
vez, por essa fronteira, trinta jovens minhotos que seguiam clandestinamente para
trabalhar em França, e em que condições! atravessaram a Espanha e transpuseram os
Pirenéus.
Hoje, volvidos cinquenta anos, com a liberdade
conquistada, a descolonização e o desenvolvimento do país. O terceiro D da
revolução de Abril, nunca completamente realizado.
Assistimos ao êxodo de
jovens com formação universitária que deixam o país outra vez sem mulheres e
homens que possam cortar o seu pão.
A fuga de cérebros é uma emigração
em massa de indivíduos com aptidões técnicas ou de conhecimentos, normalmente devido a
fatores como conflitos étnicos e guerras, falta de oportunidade, riscos à saúde e instabilidade política
nestes países. Uma fuga de cérebros é geralmente considerada custosa
economicamente, uma vez que os emigrados obtiveram suas formações de maneira
patrocinada pelo governo.
A fuga de
cérebros pode ser estagnada, através do fornecimento de conhecimento científico
para a sociedade para que ela tenha oportunidades de carreira iguais e
dando-lhes oportunidades de provar as suas capacidades. O termo foi usado para descrever a fuga de
cientista no pós guerra da Europa para a América do Norte. ( definição dada por
Wikipedia)
No nosso país, a saída massiva de técnicos, entre os quais profissionais
de saúde médicos e enfermeiros, deve-se às más condições de trabalho, falta de
oportunidade destruição de carreiras e baixos salários.
A troika impôs-nos despedimentos e cortes salariais e este
governo foi muito para além das medidas impostas o que levou ao aumento nunca
visto de desempregados.
O estudo, coordenado por Tiago Reis Marques, ele próprio a
trabalhar no King´s College, em Londres e
publicado na Acta Médica Portuguesa, revista cientifica da Ordem dos
Médicos chega a resultados preocupantes, que os nossos governantes devem tomá-los
em conta e não assobiar para o lado como é costume.
Quatrocentos mil euros é quanto custa ao país formar um
médico e cerca de 60% de estudantes, admite emigrar e o numero aumenta para 74%
quando se interrogam os internos no ultimo ano da especialidade.
Estes números vem provar o que há muito a Ordem dos Médicos
alertava. O numero de pedidos de
atestados para exercer medicina no estrangeiro tem vindo a aumentar, só na
região sul os pedidos atingem no primeiro quadrimestre de 2015, uma média
mensal de 22 atestados.
Há muito que os médicos perceberam a politica deste governo,
formação em massa de médicos indiferenciados para numa lógica puramente
economicista da lei da oferta e da procura oferecer baixos salários.
A promessa do Ministro em dar um médico de família a um
milhão de portugueses, até ao fim do mandato ficou nisso mesmo, uma Promessa.
A contratação de médicos reformados revelou - se um fracasso
porque as verdadeiras causas das reformas antecipadas, degradação dos serviços
médicos, não foram compreendidas.
Este período, pré eleitoral faz lembrar outra canção também
cantada por Adriano o Sr. Morgado, para quem não conheça cito uma das estrofes Topa um influente, sou um seu criado/
Eleições à porta, seja Deus louvado/ Seja Deus louvado/ Seja Deus louvado.
A fuga dos cérebros não se limita apenas aos médicos e aos
enfermeiros onde as agências estrangeiras vêm ao nosso país proceder ao seu
recrutamento.
A porta da emigração estende-se a outros profissionais com
habilitações superiores.
O Conselho Nacional das Ordens Profissionais C.N.O.P., que representa 16 Ordens Profissionais e mais
de 300 mil profissionais redigiu em 9 de Junho de 2015 uma carta dirigida ao
Primeiro-Ministro dando conta da remuneração de profissionais qualificados
oferecidas pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP)
consideradas ofensivas da dignidade destes jovens.
Assim, a carta dá conhecimento de um anuncio publicado no
jornal Diário de Notícias, em 16 de Abril deste ano:
" Um engenheiro mecânico que aceite um trabalho
na zona de Anadia vai ganhar 515 euros mensais ilíquidos. A oferta, publicada
no site do IEFP, insere-se no programa Estímulo Emprego, que financia empresas
para contratar desempregados......"
A esta noticia, similar a outras, somaram-se referências à
subcontratação do Estado a valores que rondam os 4,0 Euros/hora para
profissionais qualificados.
E desiludam-se aqueles que pensam que a maioria destes jovens
vão retornar ao país, com as péssimas condições de trabalho oferecidas, os
nossos concidadãos irão fixar-se noutras regiões e aí, casam, têm filhos e irão
contribuir para o desenvolvimento de outros países.
Há países como a Irlanda que também sofreram o êxodo de
profissionais qualificados devido às medidas de austeridade impostas pela
Troika mas tentam agora reverter a
situação oferecendo salários mais justos. Este é o caminho que os nossos
governantes devem seguir.
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
Jesse Owens
4 medalhas de ouro em Berlim
O
Desporto é uma profissão?
"mens
sane in corpore sane"
Cristiano Ronaldo
ganha 10 mil euros à hora ( TVI 24), Messi e Ibrahimovic, e mais futebolistas também
não ficam longe desses valores, os jogadores de basquetebol, nos Estados Unidos, chegam a valores semelhantes, e por aí fora nadadores, ciclistas,
maratonistas, tenistas.
Praticamente já não
existem atletas olímpicos amadores.
O capitalismo
conseguiu perverter todo o sentido do desporto como era encarado na antiguidade
grega.
A coroa de louros e o
ramo de palmeira constituíam os prémios dos jogos helénicos. Prémios
simbólicos. O jovem grego batia-se pela glória de triunfar nas provas, como afirma Sílvio Lima, em 1939, no seu livro " Desportismo Profissional", cadernos Culturais, ed Inquérito
"Em resumo: o
desporto helénico - na sua idade de oiro- nunca foi um exercício
profissional."
Durante grande parte do século XX muito se discutiu. sobre o desporto amador
versus desporto profissional.
Sílvio Lima, professor
da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, que, em 1935, foi alvo de
depuração política da Universidade pelo Estado Novo, escreveu vários livros
sobre este assunto,, entre os quais o já citado "Desportismo Profissional".
Filósofo e
percursor das Ciências da Educação explana neste livro o desporto como um ócio
aplicado, um lazer activo e a sua relação com o trabalho e o seu papel
democratizante e de solidariedade humana.
Como muitos outros fenómenos
que se passaram no século passado a profissionalização do desporto foi se
insinuando e chegou-se ao estado actual com vencimentos escandalosos de
desportistas, levando jovens a doparem-se com hormonas ou estimulantes, conduzindo muitas vezes à morte, com o conhecimento de mestres e
familiares, visando atingir performances quase irrealizáveis, a par de enormes
fortunas, atraídos pelo Eldorado. A era da mercantilização do desporto intalou-se.
Pierre de Coubertin,
patrono dos modernos jogos olímpicos, foi um dos grandes responsáveis pelo
adulteramento do espírito dos jogos pan-helénicos.
Introduz o valor do mais forte, encoraja a melhoria constante das performances, produzindo campeões olímpicos
Introduz o valor do mais forte, encoraja a melhoria constante das performances, produzindo campeões olímpicos
Despreza o desporto
popular , política seguida por governos progressistas, opondo-se à educação física
igualitária..
Mostra-se reticente à
introdução da participação feminina. Os jogos eram a expressão da força viril.
Colonialista fervoroso, reconhece uma certa força física aos representantes das
raças inferiores, mas com restrições. Marchar atrás dos brancos e compreender
os códigos das disciplinas olímpicas. Recusa admitir o futebol como modalidade
olímpica por ser demasiado popular.
Apoia a manutenção dos Jogos Olímpicos em Berlim, o Comité Olímpico Internacional tinha proposto esta cidade, em 1931, quando a Alemanha era uma república parlamentar.
Apoia a manutenção dos Jogos Olímpicos em Berlim, o Comité Olímpico Internacional tinha proposto esta cidade, em 1931, quando a Alemanha era uma república parlamentar.
Pierre de Coubertin
não esconde a sua admiração por Hitler. Os governos da Frente Popular em França
e da República em Espanha, opôem-se à participação dos respectivos países nos jogos
de Berlim. Para eles, participar era colaborar com a Alemanha Nazi.
A chama olímpica erguida
por jovens com o uniforme das juventudes hitlerianas percorre toda a Alemanha.
e entra em apoteose no estádio em Berlim
O Comité Olímpico
Internacional aceitou tudo:o ritual nazi da chama olímpica,orquestrado por
Goebbels, à exclusão dos desportistas judeus e antifascistas alemães. O COI já
desde 1917 recusava-se a dialogar com a URSS.
Houve quem preparasse
o boicote a estes jogos, tentando organizar as olimpíadas de Barcelona. Um dos
grandes promotores foi Léo Lagrange, sub-secretário de Estado da Organização
dos Tempos Livres e dos Desportos do governo de Léon Blum. Apesar dos ataques
da direita e do voto parlamentar da participação da França nos Jogos Olímpicos
em Berlim, apenas com o voto contra do jovem deputado Mendès France, as
olímpiadas da Catalunha mantiveram-se com a participação de atletas franceses,
espanhóis e soviéticos. Não se iriam tocar os hinos nacionais e as delegações
saudavam em conjunto cantando a Internacional.
Oficialmente marcadas para 23 de Julho de 1936, têm de ser anuladas devido à rebelião militar contra a República, dirigida por Franco. Na noite de 18 para 19 de Julho ouvem-se tiros em Barcelona. A guerra civil em Espanha tinha começado.
Oficialmente marcadas para 23 de Julho de 1936, têm de ser anuladas devido à rebelião militar contra a República, dirigida por Franco. Na noite de 18 para 19 de Julho ouvem-se tiros em Barcelona. A guerra civil em Espanha tinha começado.
Resta aos
antifascistas de todo o mundo a consolação da vitória de um negro americano Jesse
Owens com 4 medalhas de ouro que deitou por terra a superioridade ariana e
enraiveceu os dirigentes nazis.
Desde esta data os
jogos olímpicos nunca mais foram interrompidos
Mas, como se pode ler
na wikipedia: " O COI também
teve de acomodar os Jogos para as diferentes variáveis económicas, políticas e
realidades tecnológicas do século XX. Como resultado, os Jogos Olímpicos se
afastaram do amadorismo puro, como imaginado por Coubertin, para permitir a
participação de atletas profissionais. A crescente importância dos meios de comunicação gerou a questão do patrocínio corporativo
e a comercialização dos Jogos.
Discordo da afirmação
" como imaginado por Coubertin" como redigi mais acima a introdução
do espírito competitivo a outrance levou como escreve Silvio Lima : - "
Todos os grandes espíritos gregos ( Sócrates, Platão, Aristóteles, Hipócrates,
Galeno ) são unanimes em fulminar o atletismo profissional; este cria o
desequilíbrio físico-moral, o suborno, o parasitismo, a própria ruina do
individuo como soldado ( pg 33, Desportismo Profissional, cadernos Culturais,
ed Inquérito, 1939)
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