terça-feira, 15 de maio de 2012
A capa da TIME de Maio, mostra uma criança já crescida a mamar. Certo, a capa é provocatória, aliás a atitude da mãe é todo o contrário de maternal. Mas coloca um problema que todas as mães põem nas consultas de pediatria: -até quando o meu filho deve mamar?
Por volta dos anos sessenta houve uma corrente nos países desenvolvidos, em que as mães recusavam dar de mamar. Poucos anos depois houve um congresso mundial de pediatria, em que se chegou à conclusão, por demais óbvia, que nenhum leite industrial tinha as propriedades do leite materno.
As mães aderiram rapidamente, muitas vezes sujeitando-se a atitudes fundamentalistas de certos pediatras, que quase as culpavam de não produzir leite. Interrogados pelos jornais alguns pediatras conhecidos deram uma não resposta, disseram que o leite materno era sempre benéfico!
O meu pai, já falecido, contava que era frequente ver, quando iniciou a clínica pediátrica, fins dos anos trinta, crianças de cinco e seis anos escondidas atrás das portas, com vergonha, a mamarem ou a morderem as mamas das mães. Aliás iniciava o desmame muito cedo.
Aliás muitas vezes, ao fim de tantos anos, já sai pouco leite, não resultando qualquer beneficio para a criança.
A não ser que os pediatras regressem ao passado instituindo, as amas de leite.
Os psicólogos defendem como importante a relação mãe/filho, mas francamente na idade da criança da capa para haver uma boa relação já não é necessário mamar.
A " petite histoire" conta que o nosso rei Cardeal D. Henrique, tinha uma ama e que mamou até aos 80 anos.
Na vida como na medicina é fundamental ter bom senso e não cair em modas. Acredito que com a vida moderna, a maioria das mães rejeite dar de mamar até sempre.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
sexta-feira, 11 de maio de 2012
ESQUERDA
É agora….
Esta vitória nunca seria
possível sem os votos da Frente de Esquerda, Partido Comunista e Verdes/
Ecologistas. Vejam-se as bandeiras hasteadas no grande comício da Bastilha.
Chegou a hora de em
Portugal assistirmos a esta união e de uma vez por todas o PS tirar o
socialismo da gaveta.
Desde a cisão dos
Partidos Sociais - Democratas na Europa, com a constituição da II
Internacional, em 1889, os comunistas afastaram-se e, pouco a pouco, os
socialistas foram renegando Marx.
Em Portugal a cisão
da II internacional com as suas fações marxistas e possibilistas dividem os
socialistas nos últimos anos da monarquia e primeiros da república. A
aproximação destes aos republicanos, apesar de não ser consensual, enfraquece o
partido e o anarco-sindicalismo sai reforçado no meio do operariado.
A formação do
Partido Comunista Português, em 1920, é feita com muito mais quadros oriundos
do anarco-sindicalismo, que dominava a Confederação Geral do Trabalho, do que
oriundos dos socialistas que se tinham unidos aos republicanos.
A unidade entre
socialistas e comunistas nunca existiu em Portugal, ao contrário da França ( Front Populaire, etc..), excetuando
momentos muito pontuais da luta antifascista.
Vejamos o que se
escrevia no Portugal Socialista, em Outubro
de 1971, após a aprovação da Declaração de Princípios da Ação Socialista
Portuguesa ( ASP).
« …Contrariamente à corrente “reformista”
atual, impropriamente denominada de “socialismo democrático”, a essência da
nossa “Declaração de Princípios” inspira-se no ideário do socialismo cientifico
do século XIX. Se bem que a nossa carta se proclame a “herdeira de uma tradição
socialista que, entre nós, já conta mais de um século”, e que nessa herança a
inspiração do socialismo cientifico se sinta com maior ou menor intensidade,
ela enuncia também, antes mesmo de repudiar o “caminho daqueles movimentos que,
dizendo-se embora socialistas ou social-democratas, acabam por servir,
deliberadamente ou de facto, os interesses do capitalismo internacional e do
imperialismo”, que se situa na linha da inspiração profunda do pensamento
marxista»
As outras forças
que se reclamavam da esquerda entraram muitas vezes em lutas entre si que
levaram à sua fragmentação. Pequenos grupos, de cento e tal militantes no
máximo, separaram-se.
Os debates, entre
as várias forças, eram por vezes patéticos com discussões intermináveis e
bizantinas que não levavam a lado nenhum e o objetivo principal era de saber
qual era o mais revolucionário enquanto as questões principais ficavam para
segundo plano.
A direita sempre
foi mais pragmática, quando toca a reunir nunca se engana, mesmo a
extrema-direita.
Muitos anos se
passaram e a história pós vinte cinco de Abril foi muito rica em
acontecimentos, mas perante o momento em que vivemos na maior crise do
capitalismo, de que há memória, é dever de todas as forças de esquerda se
unirem para derrotar a direita no poder e dar outro rumo ao nosso país. Se
queremos realmente construir uma nova sociedade devemos começar por uma crítica
e autocritica implacável da esquerda no nosso país: Partido Comunista, Partido
Socialista, Bloco de Esquerda, Verdes, Renovadores Comunistas, Ecologistas,
Indignados, Movimento dos Precários e outros devem pôr-se a questão:- queremos
mudar ou queremos continuar a dizer que somos os melhores?
O fantasma de Marx
paira novamente sobre a esquerda em todo o Mundo, temos que estudá-lo à luz do
seculo XXI.
O que une a
esquerda é muito mais do que a separa. Caros correligionários, como disseram os
apoiantes de Hollande “é agora”.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
FITOTERAPIA
Cuidado com os chazinhos
Muitos amigos meus recorrem às infusões de plantas
vendidas em ervanários para a cura das suas maleitas.
A pouco e pouco foi – se, sub-repticiamente, impondo a
ideia que os medicamentos são os químicos e os chazinhos são puros naturais,
por isso, se não fazem bem também não fazem mal.
A ideia estabelecida no início do seculo XX que o evoluir
da ciência e assim da medicina impor-se-ia de tal forma que as crendices e as
chamadas “medicinas doces” seriam afastadas para sempre. Pura utopia, cada vez
mais o cidadão dos países ditos desenvolvidos recorre a este tipo de medicina. Estudos
realizados quer nos Estados Unidos quer na Europa alertam para uma procura cada
vez maior da fitoterapia mesmo em crianças e mulheres gravidas.
Uma das mais em voga atualmente em muitos países é a
fitoterapia.
A diretiva comunitária 2004/24/EC do parlamento europeu e
do conselho de 31 de Março de 2004, tenta regulamentar os medicamentos
tradicionais à base de plantas para uso humano.
Não conheço profundamente como se processa o registo dos
medicamentos à base de plantas, contudo o INFARMED tem regularmente, por
intermédio dos seus boletins, informados os médicos sobre as indicações e
contraindicações de tais medicamentos.
Este meu post serve para alertar que nem todos os
chazinhos são inócuos e que de todas as formas devem ser referidos aos médicos
quando da colheita da história clinica. Pois, muitos deles interferem na coagulação
ou com certos anestésicos. Também é obrigação dos médicos questionarem os
doentes sobre a ingestão de medicamentos à base de plantas.
Muitas destes produtos são hepatotóxicos, nomeadamente os
mais usados como especialidades indicadas para o bem-estar, para os distúrbios
gastrointestinais, da menopausa e de emagrecimento. Ver o artigo de Licata A. e colaboradores: “ Herbal
hepatotoxicity: a hidden epidemic. No Intern.Emerg. Medicine., 2012 April 4”
O chá verde, por exemplo, reputado pelas múltiplas propriedades
terapêuticas e consumido em todo o Mundo, foi considerado suspeito em 58 casos
de hépatotoxicidade. Na maior parte dos casos os pacientes tomavam “
complementos alimentares” sob a forma de comprimidos ou capsulas contendo
fortes doses de epigalocatequina galato, antioxidante potente existente no chá
verde. Sosseguem os bebedores de chá verde, porque em pequenas ou médias
quantidades, tais como existem nas infusões, nunca foi referenciado qualquer
problema.
A valeriana, erva de S. João, a planta medicinal chinesa
Jin Bu Huan, comercializada pelos seus efeitos contra a depressão ou sedativos,
foi sinalizada em casos de hepatite aguda ou cronica.
São, porém, os produtos recomendados para a perda de
peso, que estão melhor estudados.
Estes produtos contêm substâncias já proibidas em vários
países, como a efedra que provoca
alterações do ritmo cardíaco, o hidroxycut
causador de problemas hepáticos e renais, etc….
O consumo destes produtos, de fácil compra na internet,
pode vir a aumentar com o aparecimento crescente de casos de obesidade.
A hepatotoxicidade nem sempre vem da planta, como o
ilustra uma observação publicada recentemente sobre o Ginseng, um dos produtos
com maior expansão. O doente, com leucemia cronica, estava também a ser tratado
com imatinib (utilizado no tratamento
das leucemias). Se o Ginseng não é hepatotóxico, é conhecido por inibir o
CYP3A4, a enzima principal implicada no metabolismo do imatinib.
Os doentes devem ser esclarecidos de todos estes riscos,
os médicos devem ser informados pelas autoridades competentes e os ensaios
devem ser rigorosos segundo os princípios da medicina baseada na evidência.
sábado, 5 de maio de 2012
PINGO DOCE
S. JERÓNIMO … MARTINS
(o
benfeitor)
O
dono da pastelaria, onde costumo tomar o meu café da manhã, juntamente com
Manuel Villaverde Cabral, Lobo Xavier e mais 2 colunistas do jornal I, acharam
uma ótima ideia a ação do Pingo Doce no
1º de Maio, sem nada de criticável, mesmo até louvável. Pois não deram a
possibilidade a muitos portugueses fustigados pela crise de puderem encher as
suas dispensas com produtos alimentares?
Comparar
esta ação com os saldos em Paris, francamente Manuel Villaverde Cabral (não
confundir com o meu afilhado o historiador com o mesmo nome) ….
Assisti,
em Junho de 1967, na Suíça, a um açambarcamento, quando da guerra
israelo-árabe, em que foi lançado o pânico, nas populações helvéticas, do
perigo de um confronto generalizado e em que eram distribuídos papéis com
informações dos mantimentos que se deveriam levar para os abrigos antiaéreos.
A
guerra só durou 6 dias, mas os supermercados ficaram vazios durante vários
dias, até ser reposto o stock. Também isto em nada pode ser comparado com a
ação do merceeiro Manel dos Santos, aliás aqui não houve rotura de stocks no
dia 2 de Maio todos os super funcionavam normalmente.
Será
que estes doutos comentadores, sociólogos, economistas, jornalistas,
politólogos que propagandeiam a ação do S. Jerónimo querem também ter um cartaz
pendurado, como tem a Zita Seabra e o António Barreto, nas lojas do Pingo Doce
a anunciarem os vinhos? Continuem que vão certamente ser presenteados.
Na
altura dos meus avós, a mercearia do bairro vendia fiado a muitas famílias da
classe média que viveram as crises dos anos trinta e da guerra. Também nessa
altura as pensões dos militares, como no caso das minhas avós maternas, foram
cortadas por Salazar o que logicamente fez baixar o poder de compra. Muitas
destas famílias endividaram-se e alguns merceeiros deste país enriqueceram.
O
que se passou no dia 1º de Maio, com a jogada do Pingo Doce foi grave. Não há
dúvida que se tratou de uma provocação aos trabalhadores deste país já que as
grandes superfícies tinham sido estigmatizadas por estarem abertas no feriado
obrigando os seus empregados a trabalharem. E de certeza que trabalharam muito
mais que nos outros dias.
O
merceeiro quis mostrar como o povão, como dizem os brasileiros, se rendem a um
prato de lentilhas e passam horas nas filas para obter um desconto de 50% nas
compras superiores a cem euros.
E
resultou, ficaram com a dispensa cheia mas sem dinheiro para pagar
eletricidade, a renda da casa , etc...
Uma
senhora afirmou que esteve seis horas na fila da caixa para pagar, porque
muitas pessoas pagavam com cheques ou cartões e o dinheiro dos magros salários
ainda não tinham entrado no banco. Por isso L. Xavier, não foi por ser o
primeiro dia do mês, que foi montada esta ação.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Subscrever:
Mensagens (Atom)



