domingo, 26 de maio de 2013
Georges Moustaki - Le Métèque + Texte
Georges Moustaki já não está entre nós.
Le Métèque ( O Estrangeiro) foi, para mim a sua grande canção.
Nascido em Alexandria, de pais gregos e escolhendo a França para viver, retrata-se nesta canção assim como todos os estrangeiros exilados e apátridas.
O Fado Tropical em resposta ao Chico Buarque é outra das minhas canções preferidas pelo simbolismo e pela musicalidade.
terça-feira, 21 de maio de 2013
CRISE
Acabo de retirar da prateleira da estante, este livro velhinho de 1933, um requisitório sobre os acontecimentos na Alemanha no período da ascensão de Hitler ao poder.
Fiquei impressionado com a semelhança da situação económica na Alemanha com a que se passa actualmente na Europa e no nosso país.
A Alemanha foi o primeiro país europeu a sofrer a grande crise económica que começou nos Estados Unidos da América nos anos 20.
O "Diktat" de Versailles e a derrota da guerra teve, sobre ela, efeitos esmagadores.A perda de regiões importantes do ponto de vista económico fez retrair o mercado alemão. As despesas da desmobilização e a transformação da industria de guerra pesaram muito no bolso do trabalhador contribuinte. Os círculos do capital monopolista alemão esforçaram-se constantemente de fazer cair sobre os ombros dos operários e da classe média o peso dos milhões exigidos pelas reparações e as grandes perdas.
Este agravamento que começou em 1917, mas que só se fez sentir em 1921/22. A inflação conduziu à catástrofe do outono de 1923, provocando uma miséria ainda maior dos operários e uma proletarização da classe média. A inflação depenou literalmente até ao ultimo centavo milhões de pessoas. Mas os banqueiros e os grandes industriais encaixaram benefícios descomunais. O Estado pagou-lhes 600 milhões de marcos ouro como indemnização pela ocupação do Ruhr, ao mesmo tempo que a população não recebeu nem um centavo.
Mais tarde ( 1924 e 1927) houve, na Alemanha, uma certa retoma da economia que trouxe algum bem estar à pequena burguesia e a certas categorias do operariado.
Porém, a crise instala-se logo em 1930. A produção diminui e o numero de desempregados aumenta, no inverno deste ano o numero atinge os 3.000.000. Os patrões começam a sua grande ofensiva para a baixa constante dos salários. Em comparação com o período de 1928/29 o salário médio tinha caído mais de metade. Segundo os jornais especializados da época, a soma total retirada aos salários e benefícios dos operários e empregados alemães, de Julho de 1929 a Julho de 1932, foi de 38 milhões de marcos.
Os salários baixam e o desemprego aumenta calcula-se a cerca de 9 milhões em fins de 1932.
A situação na classe média agrava-se cada vez mais, com a proletarização de grandes camadas.O numero de falências aumenta. A pequena burguesia das cidades e os pequenos camponeses são duramente atingidos. Mas a crise atinge também os trabalhadores intelectuais. O nível de vida dos professores, engenheiros, médicos,advogados, escritores, artistas baixa todos os dias. Um quarto dos universitários não tem emprego. Dos 8.000 formados nas escolas técnicas superiores e médias ( 1931/32) só mil conseguiram emprego nas suas profissões; 1 500 continuam os estudos graças a bolsas; outros 1 500 tentam sobreviver tornando-se vendedores ambulantes, empregados de café, etc..Os 4 000 que sobram ficam sem trabalho, vivendo na rua. Em muitas empresas só se trabalhava 3 a 5 dias por semana. E ISTO SEM A AJUDA DA CATASTROIKA.
As massas operárias começam a engrossar o Partido Comunista. As manifestações aumentam e os encontros com a policia tornam-se violentos. A luta por melhores condições de vida radicaliza-se.Na província de Sleswig-Holstein tenta-se destruir as prefeituras e outros edifícios.
Os nazis fazem o seu caminho, Hitler entra no Partido Operário Alemão em 1919, este é o primeiro nome do Partido Nacional-Socialista, o seu programa chega a ser moderado, usando velhas formulas dos partidos burgueses liberais e da constituição de Weimar. Estas promessas nunca foram realizadas, como desenvolvimento da assistência aos idosos, via aberta aos homens de valor, protecção da mãe e da criança, o interesse publico antes do interesse privado.
O apoio aos nazis pelos capitalistas, sobretudo da Alemanha do Sul e a condescendência do Partido Social Democrata, sempre maioritário e o medo da revolução comunista levou o cérebro doente de Goebbels de engendrar a provocação do incêndio do Reichstag que conduziu ao terror hitleriano.
Já com Hitler Chanceler do Reich, nomeado por Hindenburg, social democrata, o Partido Comunista propõe oficialmente à direcção do Partido Social Democrata, ao bureau dos sindicatos sociais democratas e cristãos, de organizar em comum uma greve geral para levar à queda do governo de Hitler. Os sociais democratas e os sindicatos responderam: " Hitler tomou o poder legalmente devemos esperar que seja ele a quebrar a legalidade." Quando quebrou já era tarde...E o incêndio do Reichstag acelerou o processo.
Fiquei impressionado com a semelhança da situação económica na Alemanha com a que se passa actualmente na Europa e no nosso país.
A Alemanha foi o primeiro país europeu a sofrer a grande crise económica que começou nos Estados Unidos da América nos anos 20.
O "Diktat" de Versailles e a derrota da guerra teve, sobre ela, efeitos esmagadores.A perda de regiões importantes do ponto de vista económico fez retrair o mercado alemão. As despesas da desmobilização e a transformação da industria de guerra pesaram muito no bolso do trabalhador contribuinte. Os círculos do capital monopolista alemão esforçaram-se constantemente de fazer cair sobre os ombros dos operários e da classe média o peso dos milhões exigidos pelas reparações e as grandes perdas.
Este agravamento que começou em 1917, mas que só se fez sentir em 1921/22. A inflação conduziu à catástrofe do outono de 1923, provocando uma miséria ainda maior dos operários e uma proletarização da classe média. A inflação depenou literalmente até ao ultimo centavo milhões de pessoas. Mas os banqueiros e os grandes industriais encaixaram benefícios descomunais. O Estado pagou-lhes 600 milhões de marcos ouro como indemnização pela ocupação do Ruhr, ao mesmo tempo que a população não recebeu nem um centavo.
Mais tarde ( 1924 e 1927) houve, na Alemanha, uma certa retoma da economia que trouxe algum bem estar à pequena burguesia e a certas categorias do operariado.
Porém, a crise instala-se logo em 1930. A produção diminui e o numero de desempregados aumenta, no inverno deste ano o numero atinge os 3.000.000. Os patrões começam a sua grande ofensiva para a baixa constante dos salários. Em comparação com o período de 1928/29 o salário médio tinha caído mais de metade. Segundo os jornais especializados da época, a soma total retirada aos salários e benefícios dos operários e empregados alemães, de Julho de 1929 a Julho de 1932, foi de 38 milhões de marcos.
Os salários baixam e o desemprego aumenta calcula-se a cerca de 9 milhões em fins de 1932.
A situação na classe média agrava-se cada vez mais, com a proletarização de grandes camadas.O numero de falências aumenta. A pequena burguesia das cidades e os pequenos camponeses são duramente atingidos. Mas a crise atinge também os trabalhadores intelectuais. O nível de vida dos professores, engenheiros, médicos,advogados, escritores, artistas baixa todos os dias. Um quarto dos universitários não tem emprego. Dos 8.000 formados nas escolas técnicas superiores e médias ( 1931/32) só mil conseguiram emprego nas suas profissões; 1 500 continuam os estudos graças a bolsas; outros 1 500 tentam sobreviver tornando-se vendedores ambulantes, empregados de café, etc..Os 4 000 que sobram ficam sem trabalho, vivendo na rua. Em muitas empresas só se trabalhava 3 a 5 dias por semana. E ISTO SEM A AJUDA DA CATASTROIKA.
As massas operárias começam a engrossar o Partido Comunista. As manifestações aumentam e os encontros com a policia tornam-se violentos. A luta por melhores condições de vida radicaliza-se.Na província de Sleswig-Holstein tenta-se destruir as prefeituras e outros edifícios.
Os nazis fazem o seu caminho, Hitler entra no Partido Operário Alemão em 1919, este é o primeiro nome do Partido Nacional-Socialista, o seu programa chega a ser moderado, usando velhas formulas dos partidos burgueses liberais e da constituição de Weimar. Estas promessas nunca foram realizadas, como desenvolvimento da assistência aos idosos, via aberta aos homens de valor, protecção da mãe e da criança, o interesse publico antes do interesse privado.
O apoio aos nazis pelos capitalistas, sobretudo da Alemanha do Sul e a condescendência do Partido Social Democrata, sempre maioritário e o medo da revolução comunista levou o cérebro doente de Goebbels de engendrar a provocação do incêndio do Reichstag que conduziu ao terror hitleriano.
Já com Hitler Chanceler do Reich, nomeado por Hindenburg, social democrata, o Partido Comunista propõe oficialmente à direcção do Partido Social Democrata, ao bureau dos sindicatos sociais democratas e cristãos, de organizar em comum uma greve geral para levar à queda do governo de Hitler. Os sociais democratas e os sindicatos responderam: " Hitler tomou o poder legalmente devemos esperar que seja ele a quebrar a legalidade." Quando quebrou já era tarde...E o incêndio do Reichstag acelerou o processo.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
AS FINANÇAS
FINANÇAS
O texto que vou redigir martela-me na minha cabeça desde que
se instalou esta crise económico-financeira mundial, para a qual não se
avizinha uma solução.
Felizmente que a medicina não sofre da mesma doença que a
economia.
Imaginem o que seria se tudo o que me foi ensinado, como
médico, pelos meus mestres se revelasse errado como parece estar a acontecer na
Economia aonde nem sequer os Prémios Nobel se entendem.
Aliás não existe Prémio Nobel da Economia, pois Alfred Nobel
não o previu, e esta condecoração
foi criada, em 1968, pelo Banco Central da Suécia e desde
esta data muitos dos galardoados nem sequer são economistas. Congratulemo-nos,
ao menos, por existirem economistas para todos os gostos o que dá um leque
largo de opções para os nossos governantes.
Antes de prosseguir tenho de fazer a minha declaração de
incompatibilidades, sempre tive e tenho muitos amigos economistas, em abono da
verdade menos financeiros, formados no antigo Instituto Superior de Económicas
e Financeiras.
Quando tive de escolher o curso universitário, após ter
terminado o liceu, isto em 1961,várias possibilidades se me colocaram. A
medicina, engenharia e direito eram as escolas mais pretendidas e mais
prestigiadas, letras e ciências estavam destinadas ao ensino, ou na geologia
ler o boletim meteorológico. Como tinha optado no quinto ano pela alínea f)
sobrava Agronomia ou Veterinária que estavam destinadas aos filhos dos agrários
ribatejanos e alentejanos. Quem pretendesse ir para Arquitectura tinha de
escolher outra alínea e era tida como uma escola de boémios, não era um curso
era um recurso, aliás ainda hoje é menorizada, senão vejamos: -costumo ir
almoçar a um restaurante em que o dono trata todos os clientes por senhores doutores
ou senhores engenheiros; muitas vezes encontro aí um grande amigo meu
arquitecto, que também não escapa ao tratamento da casa de senhor doutor. O
dono já cansado de estarmos sempre a emendá-lo, não é senhor doutor é senhor arquitecto,
retorquiu:-“ não tenha pena senhor arquitecto, qualquer dia chega a senhor
doutor”.
Já me ia esquecendo da Farmácia mas a concorrência era fraca
e sobretudo feminina. Outros cursos Sociologia, Psicologia, Gestão não existiam
e como não eram do agrado do ditador, sobretudo os dois primeiros, só tiveram
carta de alforria depois do 25 de Abril de 1974.
Depois havia o ISCEF, mais conhecido por instituto de
económicas e bagaceiras.
Pelo que se me tem dado observar durante esta crise será que
há um pouco de verdade neste dichote. Se não vejamos enganam-se nas perspetivas,
uns gritam AUSTERIDADE e outros Crescimento, cada um, teima na sua teoria. As
folhas de Excel estão mal preenchidas para nos baralhar inventam nomes como
subprimes, swaps, agências de rating, e depois pedem desculpa, como se nada
fosse, nada preocupado com as vidas humanas. E ainda por cima ir ao mercado é
complicadíssimo não é como nós fazemos que sempre temos a alternativa dos
supermercados e as promoções do Pingo Doce.
Impuseram a ficção do Homo
economicus responsável pelas suas escolhas racionais e que deve arcar com
as suas consequências, pugnando por um mundo neo-liberal onde impera a
competição de todos contra todos.
Também existem médicos que matam os doentes por insistirem em
terapêuticas erradas e inventam palavras complicadas em inglês, mas felizmente
são poucos e por isso podem e devem ser responsabilizados. E estes senhores será
que nunca são responsabilizados pelos seus erros, será que são irresponsáveis
ou como dizíamos em jovens são mais da bagaceira que da financeira.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
O QUE FAZ A POUPANÇA.
O Gana, como a maioria dos países subsarianos, tem uma forte prevalência de infecção por HIV ( SIDA).
O uso do preservativo ainda não entrou nos hábitos dos seus habitantes, apesar de todas as campanhas de alerta para os perigos de contrair a doença, e uma das justificações seria o seu preço.
Para contornar esta dificuldade, o governo do Gana comprou, em fins de 2012, mais de 100 milhões de preservativos, fabricados na China, da marca "Be Safe", para serem dados gratuitamente nos vários centros de saúde espalhados pelo país.
A campanha foi interrompida bruscamente, devido aos protestos dos utentes. Na realidade, os preservativos revelaram-se muito pequenos e muito finos. Um dos responsáveis da FDA ( Food and Drugs Authority) afirmou que na realidade, estes, eram de má qualidade e que podiam rebentar durante uma relação sexual. A recolha dos preservativos vendidos por 2 empresas farmacêuticas chinesas começou a ser feita.
Um inquérito vai ser aberto afirma o representante da ONUSIDA.
Múltiplas queixas já tinham sido feitas pelos responsáveis da saúde, noutros países africanos, onde os preservativos made in China suscitaram alguma desconfiança. Um tribunal sul africano já tinha mesmo, em 2011, impedido o governo do seu país de comprar 11 milhões de preservativos devido às duvidas suscitadas pela sua qualidade e pelo seu tamanho.
COMENTÁRIOS:
Se não fosse verdade e um assunto tão sério, dava vontade de rir. Como foi possível acreditar que uma camisa chinesa servia a um africano.
O ministro Santos Pereira ainda não viu esta oportunidade de negócio.
Vamos exportar juntamente com os pasteis de nata, preservativos portugueses com bom tamanho e resistentes.
Onde é que você estava no 25 de Abril?
Ficou famosa a célebre frase, do Baptista Bastos, num programa de TV que passava a deshoras, onde é que você estava no Vinte Cinco de Abril?
O que eu responderia como entrevistado, escrevi-o.
" ...Até que um dia, ao chegar ao hospital, pois entrava às 7 horas no bloco operatório, o meu chefe perguntou-me: Monsieur Mendes qu'est ce qui se passe chez vous?
Estava tão longe da possibilidade de uma revolução em Portugal que pensei que ele se referia à minha casa ( chez vous), apesar de ter saído dela há pouco menos de dez minutos.
Quando me contou que os tanques estavam na rua, percebi logo o sentido de chez vous. Escusado será dizer que não operei naquela manhã, para bem das crianças.....Conta-se que um exilado português, leitor na Universidade de Grenoble, que estava a proferir a sua lição quando soube do 25 de Abril, disse para os alunos: Je viens tout de suite, je vais juste passer un coup de file. Parece que até hoje os estudantes esperam o fim da aula.
pgs 44,45 do livro A FOTO E o Reencontro Meio Século Depois.
NÃO SEI, MESMO QUE NÃO SEJA SEGURO TENHO DE IR
Assim consta o relato da Teresa no mesmo livro:
-" Surge então a noticia tão esperada do 25 de Abril.
A ideia imediata foi de largarmos tudo e regressarmos o mais rapidamente possível. Poderíamos apanhar o avião que trouxe Álvaro Cunhal e outros exilados para Portugal. Poderíamos ter seguido no chamado "comboio da liberdade" pois o meu pai tinha-nos telefonado na véspera avisando que iriam partir. Lembro que lhe perguntei inquieta se seria seguro para ele ir assim sem saber exactamente o que estava a acontecer. Respondeu-me de imediato: " Não sei, mesmo que não seja seguro tenho de ir." O meu pai era assim, o que tinha de ser feito fazia-se, custasse o que custasse.
(pg 264)
segunda-feira, 15 de abril de 2013
REGRESSO AO PASSADO
SERVIÇO NACIONAL DE SAUDE
O regresso ao passado
A ofensiva contra o Serviço Nacional de Saúde pelas forças
conservadoras - agora dirigida pela equipa do ministro Paulo Macedo - tem sido
uma constante. A desculpa inventada é a falta de sustentabilidade do sistema.
A destruição do SNS significará o fim do sonho, acarinhado
por muitos profissionais de saúde e pelo povo português, do direito à saúde.
A aprovação da Lei de Bases do Serviço Nacional de Saúde na
Assembleia da República, em Outubro de 1978, obra da luta prolongada dos
médicos progressistas com o apoio das populações, foi o começo da realização
desse sonho.
Esta lei, que ficou conhecida pela lei “Arnaut”, venceu os
projetos alternativos da direita, que defendiam a medicina convencionada e o
seguro-doença. Sistemas virados para uma medicina individualista de cariz
curativo, ignorando os cuidados primários, a prevenção da doença e a promoção
da saúde.
Os atuais partidos do governo (PSD e CDS) têm inscrito no seu
ADN a filosofia medievo-fascista do chamado “ Estado Novo”, tão bem definida
neste texto da Comissão Democrática Eleitoral (CDE) em Outubro de 1969.
«...a saúde e a
proteção sanitária foram montadas e mantidas em Portugal não como um direito
que assistia aos cidadãos – o direito à saúde – mas como um acto decorrente da
caridade das consciências, consubstanciado no célebre “slogan” que há 15 anos
fazia furor “os que podem aos que precisam” e sobre o qual se pretendia montar
a assistência e organização hospitalar do país»
No mesmo programa da CDE, em 1969, no fim do capítulo “Os
problemas da saúde”, propunha-se já a criação de um Serviço Nacional de Saúde.
A política de saúde prestada pela Federação das Caixas de
Previdência redundou num fracasso estrondoso. Portugal atingiu os piores níveis
de saúde da Europa, onde coexistiam doenças do terceiro mundo, como o
Kawshiorkor e outras formas de malnutrição,
a par das doenças de países industrializados.
A mortalidade infantil era de 44,83 por mil e atingia no
distrito de Vila Real o número de 90,99 por mil nados vivos, as doenças
infeciosas e parasitárias abrangiam 23,5 por cem pessoas por mil habitantes, a
esperança de vida à nascença era para os homens de 64,7 e para as mulheres de
71,1. (in Subsídios para o lançamento das bases
do SERVIÇO NACIONAL DE SAÙDE, Nov. 1974)
Assim andava o país dos brandos costumes e dos governos
“autoritários”, como agora certos historiadores apelidam a Ditadura.
Sem pretensões de querer fazer história, pois não é esse o
intuito deste artigo, irei salientar apenas alguns factos: os avanços que
tinham sido conseguidos nos finais do século XIX e primeiras décadas do século
XX, nomeadamente no campo da saúde pública, sofreram graves retrocessos com o
regime fascista instaurado em 1926 no nosso país. Os seguros sociais
obrigatórios tinham sido instituídos em 1919, enquanto, por exemplo a França,
só os adotou alguns anos mais tarde.
- Na década de 50 e 60, os médicos internos não auferiam
qualquer remuneração e, durante algum tempo, ainda tinham de pagar uma quantia
para terem direito à formação, e mesmo os médicos do quadro recebiam aquilo a
que se chamava gratificação simbólica. Várias comissões de médicos pediram ao
longo dos anos o estabelecimento de uma remuneração condigna, o que sempre lhes
foi negada, com o argumento que podiam recorrer à clinica livre. Nessa altura,
a saúde era tutelada pelo Ministério do Interior, o que só por si diz tudo e
explica como o fascismo encarava a saúde dos portugueses.
- Em 10 de Dezembro de 1948, a Assembleia Geral das Nações
Unidas aprovou a Declaração dos Direitos do Homem.
No seu parágrafo 25 pode ler-se: “Cada pessoa tem o direito a um modo de vida que assegure a sua saúde
pessoal e bem-estar, assim como à sua família, incluindo a alimentação,
vestuário, habitação, assistência médica e as necessárias garantias de uma
assistência social. Tem o direito à segurança em caso de desemprego, invalidez,
viuvez ou se perder os meios de subsistência por circunstâncias de que não é
responsável.”
Um novo conceito é criado, mais tarde reafirmado pela
Organização Mundial de Saúde (OMS), que
define a saúde como um estado de
completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças.
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