sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

ISTO É FASCISMO !



ISTO É FASCISMO, era uma frase muito ouvida logo a seguir ao 25 de Abril, no tempo do famoso PREC (Processo Revolucionário em Curso) e normalmente aplicava-se quando havia um abuso de autoridade.

Perdeu-se esta expressão que de certa forma era didáctica, porque a Democracia e a Liberdade não convivem com a Autoridade ou Abuso de Poder.

Várias atitudes dos nossos  governantes se enquadram perfeitamente neste dito: ISTO É FASCISMO!
Por exemplo: a carga policial de 14 de Novembro e a forma como se procederam às prisões e o seguimento do processo ou aquele bancário que atendeu um cliente do banco à porta porque não estava bem vestido para entrar nas instalações.Prometo estar atento e manter esta secção no meu blogue.

Relembremos, através da Seara Nova.

Palavras do deputado Sousa Pedro ( nome já completamente esquecido deste sabujo), depois de uma visita de um grupo de parlamentares fascistas à cadeia de Peniche.
(...) Terceiro: além das celas normalmente habitadas pelos presos, o Forte de Peniche tem duas outras, vulgarmente designadas de "segredo", para onde são transferidos, por tempo variável, os presos sujeitos a penas disciplinares aplicadas pela direcção da cadeia. Simplesmente, o «segredo» é uma cela, menos confortável que as outras como é evidente, mas ainda assim suportável, sem qualquer carácter tenebroso."
( Diário de Noticias, 3/2/71)
Este texto de António Sérgio, datado 1918 ( In Pela Grei, nºI) e publicado na revista Seara Nova Nº 1506 ,em Abril de 1971 é extremamente actual.
A  Democracia tem andado por caminhos pouco recomendáveis e muitos de aqueles que a proclamam para justificar interesses obscuros, são os detractores e os seus inimigos.

Para aqueles que tenham dificuldade em ler este texto, permito - me de escrever aqui alguns extractos.

"... O lógico é partirmos da definição da Democracia, que supomos poder ser esta: o regime em que os negócios públicos são fiscalizados pela opinião pública do país*, e cuja tendência é criar condições de igual dignidade para todas as pessoas.(...) Se a Democracia é o controlo do governo pela opinião pública, a primeira, essencial condição para a existência da Democracia, é a existência de opinião pública organizada, - coisa que em Portugal se não vê. ...
Decerto aceitarão esta evidência: sendo os homens do governo, em Democracia, os executantes da opinião, quando tal opinião não existe podemos levar a mal que eles desgovernem, que sejam ladrões ou incapazes: mas não lhe podemos levar a mal que não governem democraticamente. "  Sérgio mostra a necessidade de haver opinião pública e ser feita pelos intelectuais e as elites e exemplifica com o que se passa na Inglaterra e a importância da acção social.

(...)  " Há escritores espectaculosos e reclamistas que são afinal de contas modestíssimos: vêm no talento de que são dotados um consolo da vaidade ou um instrumento de ganhar protectores, nunca uma força social - e podendo dirigir espiritualmente um povo limitam - se a vagas pregações anódinas, contentes da manjedoura no parlamento, de um abrigo tácito na burocracia, dos louvores dos colegas nos jornais, ou de gozar da admiração sécia das meninas da sociedade. Os réus de não haver Democracia são portanto os governados...."

Passados, que são, quase cem anos estamos na mesma.
Contribuamos para formar  uma opinião pública forte! Exijamos uma Democracia Participativa!  Exijamos uma educação cívica responsável nas nossas escolas! Não deixemos fechar todas as portas que Abril abriu!

*O negrito e sublinhado é nosso.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A GUERRA COLONIAL

Hoje seria o aniversário do meu irmão Abílio,  faria 73 anos.
A vida separou-nos no inicio da idade adulta, quando o carácter de um Homem se forma. No longínquo ano de 1969, estava eu exilado em  Lausana e ele na Guerra Colonial em Luanda e o Carlos, meu irmão mais novo, entre Lisboa e  Londres. Todos em cidades começadas por L.

O reencontro familiar em 1974 foi fantástico e trabalhámos juntos, no mesmo hospital, no mesmo serviço e no mesmo consultório.

Mais tarde escreveu um romance Henda Xala, onde transparece a cada pagina o seu amor por Angola. No inicio do livro, depois dos prefácios, escreveu: - " Não sabia que se podia amar uma terra, fisicamente, como quem ama uma mulher. "
Mas, apesar disso nunca me contou o que se tinha passado em África.

Só agora, muito mais tarde, leio as cartas que escrevia aos meus pais e garanto-vos que são verdadeiras peças literárias.
Tenho hesitado em publicá-las neste blogue, porque não sei se ele aprovaria. Contudo, em sua homenagem, vou transcrever parte de uma carta escrita por um Oficial da Acção Psicológica na Guerra do Ultramar, enviada aos meus pais, e que ele intitulou : - Mataram a inocente Isabel-
A carta fala sobre a Grande Operação " NOVA LUZ", que visou a destruição de quartéis terroristas no RIO DANGE. Cito: -" É por aqui  que na manhã de 14 de Fevereiro de 1969, 6ª feira, se desloca uma escolta da "ONÇA", estacionada nas proximidades do antigo quartel de BRNO, que por força do destino e por liberdade de escolha do caminho, seguiu a marginal do rio Dange e passa pelo Cunha à Irmão, para acompanhar o Alferes médico, Dr. Abílio Mendes que se deslocava a Luanda, via Aerotáxi Margarido.
O Sol iluminava as extensas lavras já referidas, que se estendiam até à linha de horizonte visual, e desesperadas, apanham mandioca que havia de matar a fome aos filhos entregues ao destino da Mãe Preta, refugiados para lá do DANGE.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

CARREIRAS MEDICAS

FOTO DE ABILIO TEIXEIRA MENDES RETIRADA DA CONTRACAPA DO ROMANCE HENDA XALA ed Ulmeiro











Artigo sobre as Carreiras Médicas, publicado na Revista Seara Nova, Número 1497 de Julho de 1970
.
Este texto histórico, inserido na luta dos médicos pelas suas Carreiras*, mostra bem a necessidade da sua efectivação  para um bom funcionamento dos hospitais.
Aconselho a sua leitura aos jovens médicos, num momento critico da vida das Carreiras Médicas, devido ao ataque que tem sido feito pelos governantes. A sua destruição iria dificultar o jovem médico "que pretenda diferenciar-se numa especialidade". Muito actual é também o que se pretende com os hospitais: -" órgãos de prestação de serviços médicos" ou centros de aperfeiçoamento e diferenciação.

Temos que conhecer a nossa História para podermos perspectivar o futuro.

O diploma sobre as Carreiras Médicas só vem a ser publicado em Agosto de 1982.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

ORDEM /SINDICATO







O MEU IRMÃO ABÍLIO

NO FIM DO CURSO NO PORTO PARA ONDE TINHA SIDO DESTERRADO DEPOIS DA EXPULSÃO DA UNIVERSIDADE DE LISBOA

NA FOTO :VEMOS O PALHA, O BABO, A PAULA E O VAQUERO

Do baú das memórias saiu uma Seara Nova de 1970 contendo dois artigos de autoria do meu irmão ATM ou seja Abílio Teixeira Mendes. À primeira vista os artigos parecem datados no tempo, mas com esta crise e o recuo de quase cinquenta anos no nosso país pode tornar-se actual e é sem dúvida útil para os jovens médicos.


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

SIDA: O QUE SE PASSA NO MUNDO?

O Primeiro de Dezembro tornou-se uma data célebre, não só pela restauração da Pátria em 1640, que agora o nosso governo quer fazer esquecer, mas também por ser neste dia que se têm realizado as conferências mundiais sobre a SIDA.
Todos os anos assistimos à publicação de estatísticas e números de todo o género e 2012 não é excepção.
Alguns progressos foram feitos e isto à custa de uma forte diminuição do preço das terapêuticas. Finalmente depois de uma luta de certos países e ONG's as multinacionais cederam.
Hoje um tratamento com medicamentos de primeira linha, durante um ano, custa menos de 100 dólares enquanto que no ano 2000 era de 10 000.
Assim, no ano corrente, o Fundo Mundial contra a SIDA permitiu a mais 900.000 pessoas de beneficiarem de uma terapia de antiretrovirais. 4.7 milhões recebem um tratamento, numero impensável há menos de cinco anos e finalmente chega aos países mais pobres, no Zâmbia 80% dos infectados recebem tratamento, assim como no Ruanda, na Namíbia na Suazilândia ou no Cambodja.

Mas nem tudo são rosas no mundo da SIDA.
Na Europa o aumento do numero de novos casos foi detectado pela OMS( Organização Mundial da Saúde), com realce para a parte oriental do continente.
Esta região concentra a maior parte dos casos infectados registados em 2012 ( e ainda falta Dezembro) que se elevaram a um total de 121000 dos quais 28000 na União Europeia ( a Rússia ainda não transmitiu os seus dados).
Alerta deve ser feita em que nesta parte da Europa só um doente em quatro recebe o tratamento retroviral, sendo uma das taxas mais baixas do mundo.
Os especialistas estão preocupados com esta situação e estabelecem uma relação com a crise económica.
Na Grécia o numero de toxicodependentes contaminados nos últimos dois anos é dez vezes maior. A campanha portuguesa da troca de seringas nas farmácias tem sido lisonjeada por todos, esperemos que continue sem per calces.
Nos países mais ricos é o deficit de despistagem que preocupa os responsáveis.





Quanto tempo tem o tempo?: A Foto - E o Reencontro Meio Século Depois: sugestão de leitura



COMENTÁRIO IMPORTANTE SOBRE O LIVRO A FOTO NO LANÇAMENTO EM COIMBRA PELA "BLOGGER"  RELÓGIO DE CORDA


Quanto tempo tem o tempo?: A Foto - E o Reencontro Meio Século Depois: sugestão de leitura

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Felizmente há SNS


Felizmente há SERVIÇO NACIONAL DE SAUDE


Uma das grandes conquistas do 25 de Abril e do Estado Social é o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Apesar dos ataques constantes das forças neoconservadoras, ele aguenta, aguenta, aguenta! (parafraseando o banqueiro Ulrich).

O SNS tem sido o melhor e mais efetivo garante da equidade em saúde, mesmo com a instauração e aumento dos co - pagamentos, vulgo taxas moderadoras, agora exigidos e aumentados.

Como já escrevi, várias vezes, o mercado não consegue garantir um equilíbrio de oferta e procura dos serviços médicos sem produzir a exclusão. O exemplo mais flagrante é o sistema adoptado nos Estados Unidos que apesar da reforma tímida de Obama, a chamada Obamacare, exclui do seu sistema de saúde mais de 48 milhões de norte-americanos.

Quando escrevia este post, um amigo enviou-me por mail a carta/desabafo do colega neurologista de Coimbra Carlos Manuel Costa Leite, publicada em <http://www.facebook.com/c.m.costa.almeida>

A carta relata, pormenorizadamente, a assistência prestada nos hospitais do SNS, em Coimbra, a um cidadão britânico, a residir temporariamente em Portugal, que teve um acidente vascular cerebral. A melhor assistência foi prestada e o doente teve alta. Contudo, durante os exames efectuados, foi-lhe detetada uma estenose significativa da carótida esquerda. O médico propôs a intervenção cirúrgica e perguntou-lhe se preferia ser operado em Inglaterra, sua terra natal.

Ele respondeu:“ Doutor, eu tive um AVC e ao fim de meia hora estava a ser tratado...No meu país isto não seria possível!...É neste hospital que eu quero ser operado”.

E assim foi, tudo correu bem e não estavam lá as câmaras das televisões. Evidentemente, não se tratava do Eusébio, nem o Hospital era privado.

Quando se despediu disse: ”(…) You know, if I lived in my country I would be dead know. Portugal saved my life. Obrigado”.

Casos como este existem vários, como o transplante hepático realizado ao realizador de cinema chileno Raul Ruiz, pela equipa do Dr. Eduardo Barroso no hospital Curry Cabral, com sucesso. O transplante tinha sido recusado em França, país onde vivia, por já ter 69 anos (o que pretendem agora impor em Portugal, vidê parecer da Comissão Nacional de Ética Para as Ciências da Vida). Infelizmente, o cineasta veio a falecer mais tarde num hospital francês devido a uma bactéria hospitalar, resistente aos antibióticos. Mas foi devido ao transplante efectuado em Portugal, que Raul Ruiz quase terminou a obra de arte que tinha em mãos, o filme “As linhas de Wellington”.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Jacques Brel - Ne me quitte pas - Paroles (Lyrics)



UTE LEMPER TAMBÉM CANTOU ESTA LINDÍSSIMA CANÇÃO DE AMOR DE JACQUES BREL. MAS PREFIRO A INTERPRETAÇÃO DO PRÓPRIO

Ute Lemper (lista de reprodução)




MAIS UMA VEZ OUVI ESTA DIVA NO AUDITÓRIO DA GULBENKIAN NO ULTIMO SÁBADO
FANTASTICO

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

INTOXICAÇÃO POR COGUMELOS



O mês de Novembro, devido ás suas condições climatéricas, é propicio à apanha de cogumelos. Neste, como em muitos casos, a sabedoria popular não é suficiente e todos os anos lemos nos jornais casos de famílias inteiras mortas por intoxicação quando almoçavam um apetitoso prato de cogumelos. O Amanita phaloides é o fungo mais mortal e nos poucos casos de sobrevivência, devido à sua acção hepatotóxica, necessitam de transplantes hepáticos.
Os especialistas dizem que este cogumelo é muito difícil de distinguir dos comestíveis.
No exercício da minha profissão assisti a vários casos de famílias inteiras intoxicadas e raramente, talvez um único caso, sobreviveu uma criança após transplante hepático.
A estatísticas fiáveis de mortalidade por intoxicação de cogumelos em Portugal não existem.
Em França, já foram declarados 664 casos de intoxicação, dos quais 3 mortais, somente nestas ultimas 3 semanas. A DGS francesa enumerou num comunicado regras elementares que devem ser respeitadas: - uma das quais, em caso duvida abster-se-.
Na Suiça este mês de Novembro, é também pretexto para grandes caminhadas em família na floresta, a apanha de cogumelos.
Um amigo português oriundo de Trás- os- Montes, que vivia em Genebra, resolveu, um Domingo dar um passeio com a  família à procura dos cogumelos. Quando regressou à cidade, dirigiu-se a um posto de policia, na Suiça durante estes meses havia em determinadas esquadras especialistas  na matéria, para seu espanto todos os cogumelos foram para o lixo, eram venenosos.
Em França são as farmácias ou as sociedades de micologia das regiões que fazem este trabalho. Em Portugal não tenho conhecimento de nada semelhante e custava tão pouco e quantos ganhos em Saúde, como se costuma dizer agora.
Alerta! Em caso de intoxicação, cujo os primeiros sintomas ( vertigens, tremores, náuseas e vómitos) que se manifestam nas primeiras doze horas após a ingestão, telefonar de imediato ao centro antiveneno ou ao 112 e especificar a ingurgitação de cogumelos, devendo guardar um espécimen para mostrar à equipa médica. Contudo, a prevenção é sempre o melhor remédio.


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Obama reeleito


Ufa! Obama foi eleito!


Reeleito, fundamentalmente, à custa dos votos dos latinos, dos afro americanos ( 9 em 10), das mulheres e dos jovens.

Muitos esqueceram que a grande maioria das propostas do Presidente não foram cumpridas. Por exemplo:- a famosa reforma dos cuidados de saúde, chamada a "Obamacare", ficou muito aquém do prometido.Apesar da timidez da mini reforma, o numero de  americanos sem qualquer tipo de assistência médica diminui, passando de 50 milhões para cerca de 48 milhões.

Obama, venceu as eleições sem margem para dúvidas, apesar do complicado sistema americano,
obteve aproximadamente 60.367.913 votos  contra 57.573.527 de Rommey e isto antes de se apurarem os votos da Florida.
Para estes resultados, muito ajudou o candidato republicano com um discurso neoconservador, com a defesa dos multimilionários e do movimento de extrema direita, Tea Party.
O derrotado foi, portanto, a economia de mercado e o capitalismo selvagem financeiro.
Obama é o terceiro Presidente democrata a ser reeleito, depois de Bill Clinton e Roosevelt e como este último, não foi prejudicado por um  país em plena crise. Muitas palavras de ordem de Franklin Delano Roosevelt foram utilizadas por Obama, nesta campanha, a palavra Forward é extraída dos discursos deste Presidente, antes de 1933, no livro Looking Forward.
Esperemos que Obama relance a mesma politica que Roosevelt aplicou para fazer com que a  América saísse de uma  crise profunda, com crescimento económico, inversão da politica bélica e  bem estar social.
Temo, que a eleição do Imperador Obama não se reflicta imediatamente na Europa. A sua preocupação vai ser, seguramente a China e a América Latina

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

INCÊNDIOS FLORESTAIS




Saiu, do baú de memórias, este artigo, publicado no jornal "o diário", de 5/9/86, que continua muito actual.
Lino Teixeira, engenheiro silvicultor, que os meus seguidores conhecem como meu tio, alerta os poderes públicos pela necessidade de formação daqueles que combatem os incêndios florestais.
Esta, tem sido a sina do nosso país, os governantes a cederam aos lobies estabelecidos. Neste caso o dos bombeiros, desdenhando o parecer dos seus técnicos. Como se lê no texto: "... 1978, altura em que, mercê de um acordo firmado entre representantes do MAI, do MAP e dos bombeiros, se entendeu que todas as responsabilidades deveriam recair inteiras sobre as corporações de bombeiros locais, ....Aos técnicos e restante pessoal florestal ficou cometido somente a detecção dos sinistros, mesmo para as matas do Estado". E, assim se deitou para o lixo, anos e anos de experiência de combate aos incêndios florestais.
E termina o artigo, com este período: " Os bombeiros que morreram em Águeda  e em Armamar e os que ainda poderão vir a morrer não se sabe quando nem onde, são vitimas da incompetência dos que a alto nível dirigem a luta contra os incêndios florestais em Portugal.  
Acrescento e quanto dinheiro esbanjado em meios aéreos, com o resultado que infelizmente conhecemos todos os anos. Depois digam que o Estado não é bom gestor. 





quarta-feira, 31 de outubro de 2012

FOTO DE ANTÓNIO SÉRGIO



Sérgio foi um dos grandes pensadores portugueses do século passado. As suas bandeiras de luta foram sempre, o movimento cooperativo e a educação cívica do povo. Toda a sua vida combateu o logro das corporações decretadas por Salazar, para fazer a paz entre patrões e trabalhadores.
A antologia sociológica, publicada em 1956 em edições de autor, contem os seus pensamentos.
Isto vem a propósito, de que uma das noticias mais censurados, este ano, nos Estados Unidos, detectada pelo Projecto Censurado da Universidade Sonoma State da California foi  a proclamação pela ONU, de 2012, Ano Internacional das Cooperativas.
Não me recordo, também, de ler algo parecido nos nossos jornais. Num momento de crise esta podia ser uma alternativa ao capitalismo financeiro.

Fala-se muito do regresso ao campo, como uma das soluções para a crise. Porém, o regresso ao trabalho da terra pelo lavrador, tem de ter a garantia, como disse  Sérgio, de quem "virá a lucrar com os seus maiores esforços ( com as maiores despesas e sacrifícios que faça) é bem ele próprio, lavrador explorado, e não as harpias de quem é vitima o intermediarismo gigante, o juro usurário, a renda excessiva, o arrendamento breve, o parasitismo das organizações dirigistas."
Por outro lado, as Nações Unidas, com este alerta, parecem interessadas em  travar o processo de destruição social, material e moral do modelo corporativo transnacional, que alastra em todo o planeta, chamando a atenção, para o esquecido sistema de cooperativas como a formula mais idónea de sair do subdesenvolvimento quer nos países pobres quer nas bolsas crescentes de pobreza existentes nos países desenvolvidos, em crise.

O Ano Internacional das Cooperativas, proclamada pela ONU, que manterão activas no Mundo quase um bilião de pessoas membros ou sócios de cooperativas. Segundo, as Nações Unidas, a cooperativa será om modelo de empresa de mais rápido crescimento do planeta em 2025 e assegura que as cooperativas de trabalhadores - proprietários prevêem uma distribuição equitativa da riqueza e uma conexão autentica ao local de trabalho, componentes chaves de uma economia sustentável. 

O pensamento de Sérgio, cooperativas de produtores/ cooperativas locais de crédito/ cooperativas de consumo, continua vivo e irá reforçar-se com esta iniciativa das Nações Unidas.

As cooperativas começaram em Inglaterra há mais de 150 anos e estenderam-se por todo o Mundo. Na Etiópia, mulheres e homens saem da pobreza unindo os seus esforços nas cooperativas, na Alemanha os cidadãos controlam metade das energias renováveis. As cooperativas nos USA possuem 93 milhões de membros proprietários que controlam activos de 920 biliões de dólares. No Japão, um sexto da população pertence a uma cooperativa de consumo. 
E em Portugal? Ver http:// www, confe,cop/web/#

Não temos dúvidas que o movimento cooperativo não interessa aos bancos e ao capitalismo financeiro, por isso noticias com estas devem ser censuradas.






sexta-feira, 19 de outubro de 2012



RECADO DE EZEQUIEL DE CAMPOS (12 /12 / 1874 a 11/6/1965) A CAVACO SILVA ( 15/7/39)


Aníbal Cavaco Silva, economista, politico e utilizador do facebook, foi um dos responsáveis pela destruição da agricultura e das pescas em Portugal, o que conduziu ao empobrecimento do país e à desertificação do interior.

Em sua defesa, dirá certamente, que cumpriu ordens de Bruxelas. No Tribunal de Nuremberga, no julgamento dos responsáveis nazis, também todos cumpriram ordens e com que afinco!

Ezequiel Campos, engenheiro e economista, escritor e político, foi deputado à Assembleia Constituinte de 1911 e apresentou, na sessão de 27 de Julho de 1911, um projecto de lei de Utilização dos Terrenos Incultos.

Não vou fatigá-lo com a transcrição ipsis verbis do projecto de lei que foi editado em livro em 1911, na tipografia da livraria ferin e que poderá encontrar nos anais da Assembleia da República.

Para os meus outros seguidores do blogue, que desconhecem o tema, direi que este projecto propunha a irrigação do Riba e Alentejo, ligando os rios Tejo (a partir da bacia do Rodão) ao Guadiana e ao Sado, o que transformaria, nos meses de estio, o deserto alentejano em terras cultiváveis. Vejam, quanto tempo esperámos pelo Alqueiva e quanto mais iremos esperar pela obra de regadio.

Acrescentava, em defesa do seu projecto, que os rios seriam navegáveis, o que permitiria irmos de Lisboa a Madrid de barco, e fundamentalmente os navios de carga transitariam à vontade ( não precisaríamos do TGV). Como o Alentejo já estava desertificado, transformado em coutadas pelo Rei D. Carlos, propunha a migração da gente do Minho e das Beiras para cultivarem as terras incultas.Argumentava, que faziam mais falta aí do que em África ou Brasil.

Para os nossos governantes, o amigo Ezequiel, deixou algumas dicas que eu passados cem anos transcrevo:
        “Toda a nação que tem terra arável inculta ou apenas desbravada, e que importa pão e exporta párias, está profundamente desequilibrada.”
        “A necessidade, urgente mais que nenhuma outra, de produzir no país as substâncias e matérias primas que de longa data sempre temos importado, deixando o nosso solo inculto; a impossibilidade de equilíbrio nas finanças e de pagamento da divida nacional, sem nos aproximarmos de aquele equilíbrio de produção e consumo”.... “a má orientação do nosso ensino e a péssima tendência da nossa actividade  sempre acorrentada ao lugar do orçamento,”...”nos fariam hesitar na praticabilidade da salvação nacional, se um conjunto de circunstancias, de que havemos de lançar mão, não nos habilitasse a esperar uma mudança completa na orientação moral e politica, na economia e nas finanças portuguesas.”
        “Velharias de direito não poderão ser invocadas para estorvo da valorização do que é necessário para todos nós: a terra, com dono ou sem dono, desde que está e tem estado inculta, há-de passar a ser cultivada.”

NOTA DE RODAPÉ:

A dinastia de Bragança deixou Portugal pobre, endividado e sob o domínio inglês. Semelhanças há com a nossa situação actual.
D. Carlos foi morto, e anos depois deu-se a revolução do 5 de Outubro, com a implantação da República. Ezequiel de Campos, deputado à Assembleia Nacional Constituinte, como muitos republicanos, exprime no fim desta citação a esperança numa mudança completa na orientação moral e política do país.
Para bom entendedor.





segunda-feira, 15 de outubro de 2012

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

DAVID CONTRA GOLIAS



DAVID E GOLIAS

 

Na vida há sempre duas atitudes perante os poderosos: ou lutar por aquilo que achamos justo ou, ao contrário, sujeitarmo-nos.
A segunda atitude tem sido a mais visível em Portugal. Nunca há alternativas ao que nos é ditado pelos poderosos e nem sequer ousamos dar a nossa opinião com medo de represálias.
Vejamos o que têm feito os responsáveis pela saúde no nosso país. O memorando da troika dita para o governo cortar 550 milhões de euros no orçamento da saúde e ele aplaude e corta o dobro.
Toda a política de saúde, instituída pelos sucessivos ministros, peca por querem introduzir as leis do mercado num sistema, o Serviço Nacional de Saúde, cuja ambição é permitir a cada um o acesso aos melhores cuidados.

O mercado não consegue garantir um equilíbrio de oferta e procura médica e por isso só produzirá a exclusão, a exemplo do que se passa nos Estados Unidos.
Na cegueira da poupança e da filosofia neoconservadora, a seguir aos cortes de salários dos trabalhadores da saúde passou-se ao corte nos medicamentos mais caros, utilizados no tratamento dos doentes com SIDA, artrite reumatoide e oncológicos.
Depois de um arremesso de política de genéricos que, baseado na mesma filosofia do “ laissez faire, laissez passer”, conduziu a uma proliferação nefasta de medicamentos com o mesmo principio ativo - que só desorientou médicos e doentes -  tiveram agora de admitir que o grande gasto em medicamentos vem do tratamento das três situações atrás citadas.

E qual foi a solução? Impedir muitos doentes de receberem os melhores cuidados à luz do estado da arte.
Grave foi por isso o beneplácito da Comissão Nacional de Ética para as Ciências da Vida firmado no seu parecer nº64/CNECV/2012.

Se os nossos governantes adotassem a primeira atitude, ou seja lutar pelo que é justo mesmo que à partida pareça uma luta de David contra Golias, deviam interrogar-se porque é que os medicamentos são tão caros?

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Bebidas energeticas podem matar?

O relógio de corda, minha amiga de facebook e blogues, alertou-me para a expansão em Portugal das bebidas energéticas. Professora em Leiria constatou que alguns dos seus alunos consumiam logo pela manhã, uma destas bebidas - O Monster- e eram os pais que compravam. Santa Ignorância-. Perguntei ao meu neto que tem 12 anos se conhecia a bebida? Ele conhecia-a e muitos dos seus companheiros de liceu bebiam com frequência.
Estas bebidas contêm taurina ( a celebre Red Bull), doses elevadas de cafeína além de outros ingredientes:- guaraná, giseng, etc..
Já há alguns anos que as bebidas energéticas se instalaram alegremente no nosso país, basta só lembrar os celebres festivais de aviação da Red Bull, no Porto. Os seus anunciantes gabam-lhes os efeitos e prometem aos seus consumidores mais energia, uma maior resistência ao álcool e uma ajuda para emagrecer. Nunca ouvi o director geral de saúde ou o ministro falarem sobre estas bebidas ou tentarem proibi-las.
Em França, a Ministra da Saúde pediu ao Instituto Nacional de Vigilância Sanitária de analisar os efeitos indesejáveis destas bebidas. O balanço dos primeiros anos surgiu em Junho deste ano e relatou um numero de casos, felizmente poucos, inquietantes. Foram registados, por este organismo, 24 casos de efeitos indesejáveis, com mais seis denunciados a outra agência.
Os efeitos indesejáveis foram :- taquicardia e /ou crises de epilepsia, parestesias, tremores,vertigens além de manifestações psíquicas; como angustia,agitação e confusão. Houve 3 casos de acidente vascular cerebral e 2 de paragem cardíaca ( 1 mortal) para os quais a relação causa efeito não foi claramente estabelecida. Os seis casos referidos pela Agência ( ANSES) de segurança sanitária foram em pessoas com menos de 30 anos. No total existem pelo menos 3 casos de morte desde 2008.
O relatório alerta para o perigo da mistura de álcool com bebidas energéticas. Dos seis casos referenciados, cinco tinham também bebido álcool. O consumo destas bebidas está muitas vezes ligado à pratica desportiva e destes, 27% dos consumidores com menos de 35 anos associam, algumas vezes, bebidas alcoólicas.
Aguardemos as nossas estatísticas, isto se alguma vez vierem a existir.

Uma equipa de pediatras de Miami lançou o ano passado um aviso contra este tipo de bebidas e da sua possível toxicidade para as crianças e adolescentes. Em França, a Agência nacional de segurança sanitária tem referido os efeitos neuro-comportamentais potenciais da taurina e da toxicidade renal da D-glucuronolactona.

Beethoven - Sonata para piano en do menor ''Patetica'' Op 13 N° 8 (2do m...



Ouvi e deliciei-me com esta Sonata, tocada magnificamente por Alexei Volodin
Foi no dia 7 de Outubro, no grande auditório da Fundação Gulbenkian.
E como sempre quando oiço esta sonata vem me à memória a Alameda e a minha mãe. Que bem que ela tocava!

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

HISTÓRIAS




OS SUIÇOS E A ESQUERDA EM PORTUGAL
 

A grande manifestação do passado dia 15 de Setembro iniciou-se, em Lisboa, na Praça José Fontana, o mesmo José Fontana que no século XIX - juntamente com Antero de Quental e Azedo Gneco - fundou o Partido Socialista em Portugal, como bem lembrou, no Facebook, a minha sobrinha Elsa. 

Fontana, de seu verdadeiro nome Giuseppe Silo Domenico Fontana, nasceu em 1840, em Valle de Muggio, no Ticino, o cantão italiano da Confederação Helvética. Em 1854, veio para Lisboa estabelecer-se como relojoeiro. Que mais poderia ser!
Como operário, era um defensor das classes trabalhadoras e trocou correspondência com Marx e Engels. Contudo, foi Bakunine que o inspirou. Redigiu os estatutos da Associação da Fraternidade Operária, que mais tarde viria a dar origem ao Partido Socialista Português.

Grande amigo de Antero de Quental, foi um dos organizadores das Conferências de Casino e do Centro Promotor dos Melhoramentos da Classe Operária. É reconhecido hoje como um dos fundadores do PS.

Trabalhou como tipógrafo e tradutor na Livraria Bertrand, de que seria mais tarde sócio-gerente. Quem o conheceu descreveu-o como um homem bom, sensível, de inteligência brilhante, sagaz como analista das situações, dotado de uma intuição fora do comum.

Adoeceu com tuberculose e suicidou-se em 2 de setembro de 1876. O seu grande amigo e correligionário Antero de Quental vêm a suicidar-se anos mais tarde. 

No início dos anos 20, encontramos outro suíço na origem da fundação do Partido Comunista Português: Jules Humbert Droz (1891 a 1971).

Originário da parte francófona da Suíça, La Chaux-de-Fonds, no cantão de Neuchatel, aderiu ao comunismo depois de ter sido pastor protestante e membro do Partido Socialista Suíço. Levou parte dos militantes do PSS a aderir à III Internacional, fundando o Partido Comunista Suíço, em Março de 1921.

Partiu para Moscovo em 1919, sendo nomeado secretário da Internacional Comunista. Neste cargo, foi encarregue de trabalhar com os Partidos Comunistas dos países latinos, colaborando com o italiano Palmiro Togliati, o francês Maurice Thorez e o português Carlos Rates.

Droz esteve presente, como delegado da III Internacional, no congresso do Partido Comunista Português.

No seu discurso, perante o congresso, disse: “Ele (o PCP) lutará, estreitamente unido às outras secções da Internacional, até ao dia em que se consiga fazer em Portugal uma república soviética, que entrará na grande família dos Estados Unidos Soviéticos do Mundo”.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012


DEMOCRACIA

Critica à democracia representativa

 

Creio ser o momento oportuno para discutir a democracia. 

Apesar das questões financeiras estarem na ordem do dia, os nossos sucessivos governos representativos apresentam uma tal desordem e corrupção que é urgente sairmos deste estado.
Desde sempre, a luta empreendida pelos povos têm tentado melhorar e reforçar a DEMOCRACIA.
Infelizmente, este nome foi utilizado em muitas situações que o desvirtuou da sua essência, por exemplo no tempo do fascismo falou-se de democracia orgânica para mascarar uma Ditadura. 

Sir Henri Summer Maine, em 1887, entendeu por democracia unicamente uma forma particular de governo. Disse: “há duas maneiras de conceber o governo de uma sociedade, e de aí duas diferentes maneiras de apreciar as relações entre governantes e governados: ou o governante é superior ao vassalo, é seu chefe, tutor e guia e qualquer que sejam as suas faltas os governados devem-lhe todo o respeito e em caso algum poderão retirar-lhe a sua autoridade; ou os governantes são simples agentes e mandatários dos governados e neste caso a censura é um direito, a origem da autoridade reside nos governados que dão ou a retiram como julgam mais útil”. 

Penso que todos estamos de acordo com a segunda hipótese, o problema coloca-se em sabermos de que forma e quando retiramos a autoridade aos governantes? E quase todos os países reconhecem hoje a soberania popular como forma de democracia. 

Rousseau, ao escrever o seu livro Contrato Social, há perto de 300 anos, parece dirigir-se aos cidadãos do seculo XXI quando afirma que não poderá haver soberania e liberdade politica sem a intervenção consciente e ativa dos cidadãos.

Já Jaime Magalhães de Lima escrevia, em 1888, talvez com influencias roussianas,: «o mandatário eleito pelos seus concidadãos por maioria de votos, sobre uma questão de princípios, não representa nem a minoria, nem todas as nuances da maioria; nada garante que ele compreendeu e não atraiçoará a vontade dos seus eleitores». É tão atual!
 
Rousseau evoca a Democracia na sua própria essência, ou seja o poder exercido na totalidade pelo conjunto do povo. A questão essencial para ele era conservar a soberania do povo, como diz a canção emblemática do 25 de Abril, “o povo é quem mais ordena”. 

Nesse sentido, não existem hoje muitos governos democráticos, como era o caso da maioria das tribos que discutiam antes de decidir. Entre os países desenvolvidos, o único caso que conheço é a Suíça - não será por acaso que Rousseau era Genebrino. Na Suíça os eleitos podem ser sempre submetidos à possibilidade de um referendo imposto por um grupo de cidadãos. Nalgumas cidades, nos Alpes, ainda se usa a famosa Landsgemeinde, que consiste em reunir a população na praça principal e votar de braço no ar, como no tempo de Guilherme Tell.

Na vida política dos povos não existe problema mais importante do que o da Democracia e para o assinalar as Nações Unidas determinaram atualmente o 15 de setembro como o dia da Democracia. 

Entendo a Democracia como um sistema político que postula a igualdade de direitos dos cidadãos e a liberdade de intervirem nos assuntos do Estado.
Infelizmente, no nosso país foi propagandeado até à exaustão pelos partidos do arco do poder que só existe uma forma de democracia, a Democracia representativa e que o povo só pode manifestar-se de quatro em quatro anos.

Vejamos o que dizia Rousseau, a este respeito: «o povo inglês pensa que é livre, mas engana-se redondamente; ele só o é durante as eleições dos membros do parlamento: logo que eles são eleitos, ele torna-se escravo, ele não vale nada», e acrescenta: «nestes curtos momentos de liberdade, o uso que dela faz merece bem que a perca».

Em pleno seculo XXI, é impensável voltar às decisões à volta de uma árvore, mas isso não nos impede de pugnar por uma Democracia Representativa, Participativa e Deliberativa. Por que não se trata apenas de participar em discussões e resoluções que a maioria das vezes os governantes não ligam, dado que se julgam os melhores. Temos de ter o poder de deliberação, no sentido do adjetivo deliberative dos ingleses cujo significado é discutir e decidir. 

A fórmula da Democracia representativa chegou ao fim e afastou dos atos eleitorais a maioria dos cidadãos, criando um divórcio entre governantes e governados.

Este governo, cada dia que passa, fere de morte a essência da Democracia, com uma atitude autista e arrogante dos seus dirigentes. Passos Coelho disse: votaram em mim para eu pensar pela minha cabeça, que se lixem as eleições, etc..., num desprezo total pela democracia. A corrupção e o compadrio alastraram e são o maior perigo para a Democracia representativa, que passa desde a compra dos votos até à oferta de empregos milionários pelos capitalistas aos nossos representantes nos órgãos do governo. 

A Constituição da República Portuguesa prevê o Referendo, mas desde o 25 de Abril só foi utilizado duas vezes - na lei da interrupção voluntária da gravidez e na proposta de regionalização. É certo que a lei só prevê que o referendo seja vinculativo com mais de 50% de eleitores, mas mesmo assim deveríamos pressionar a AR e o governo a realizá-lo em momentos decisivos para a política do nosso país, como foram a entrada na CEE e no Euro.

Todos sabemos que as instituições europeias boicotaram este método com medo das vontades dos povos. Neste sentido próprio do termo Democracia, Portugal não o é, porque é corrente ouvir da boca dos governantes que não querem organizar um referendo com medo que o povo responda não, quando eles querem que responda sim.

É certo que algumas vezes o povo suíço vota à direita e com cariz chauvinista, como no recente caso da proibição da construção das mesquitas, porque alteravam o estilo arquitetónico das cidades helvéticas, mas estas são as regras do sistema e não deixa de ser a vontade do povo.

A utilização do referendo é uma das minhas propostas para que a Democracia seja mais participativa e deliberativa.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

A MINHA AVÓ FLORA

 
A MINHA AVÓ FLORA
A minha avó Flora era na verdade avó da minha mãe, mas assim a chamávamos para a distinguir da minha verdadeira avó, a avó Júju, sua nora.
Os homens na família Teixeira morreram cedo, por volta do quarto e quinto decénio da vida. Por esta razão, a minha bisavó Flora foi viver para nossa casa, devia eu ter 3 ou 4 anos, e aí ficou até aos meus 18 anos, data em que faleceu.
As recordações que tenho dela são felizes:- ir para o seu quarto ouvir histórias e comer algumas guloseimas que ela comprava para nós, às escondidas dos meus pais. Dizia sempre:- “ Não digas nada aos teus irmãos” e com eles fazia o mesmo. Como era católica muito praticante, apesar de só ter sido batizada aos 10 anos pois a família Leão tinha uma forte costela judaica, quando nós íamos fazer exames, eu e os meus irmãos, pedíamos-lhe sempre: – “Avozinha, não se esqueça de pedir aos seus santos para termos boas notas nas provas” e tínhamos.
Flora Josefina Leão era natural de Bragança e pertencia à burguesia rural, a família possuía terras nas margens do rio Sabor e casas comerciais no Porto e em Lisboa. Casou com um oficial do exército e teve um único filho que seguiu também a vida militar e foi dos pioneiros da aviação militar quando esta pertencia ao exército, antes de existir a arma da aviação.
Viveu sempre muito bem, em vivendas com jardim, quer no Ameal quer mais tarde no Dafundo, quando se transferiram para Lisboa. Sofreram várias crises financeiras, as lutas com os monárquicos (os talassas), a guerra mundial e o advento do fascismo. Como aconteceu a muitas famílias da época perderam todos os bens, prédios urbanos e rurais, sendo ainda para mim um mistério.
 O meu bisavô esteve nas campanhas de Africa e o meu avô lutou ainda muito jovem na Flandres, tendo sido feito prisioneiro de guerra pelos alemães. Quando morreram deixaram à minha avó Flora uma boa pensão, pensão de sangue, por terem sido antigos combatentes medalhados. O meu avô tinha a Cruz de Guerra e a medalha de Mérito Militar.
 Muita gente ignora ou talvez não, que o Salazar na sua politica de austeridade cortou estas pensões aos antigos combatentes, assim como a muitos republicanos.
Durante o fascismo, excetuando as pensões de fome das caixas de previdência e dos grémios, a esmagadora maioria da população não tinha nada. Assim o esforço depois do 25 de Abril para erguer um estado social foi hercúleo e muitos dos dinheiros do cofre do Estado foram gastos. Infelizmente também a corrupção generalizou-se, mas isso é outro artigo.
PP Coelho, o menino Portas e Gaspar, Moedas e Cia devem ter-se inspirado nestas medidas fascistas muito gravosas para os mais indefesos, os pensionistas e reformados. O governo PSD/CDS esquece que nós reformados descontámos durante 40 anos de vida de trabalho e por isso temos direito a este dinheiro e não a outro de menor montante. Como explicou e bem, Manuela Ferreira Leite, se tivéssemos 100 euros no Banco e no momento do seu resgate nos dessem apenas 80, consideraríamos um roubo. Apesar, que isto nem sempre foi assim, no tempo da minha avó os bancos faliam e não pagavam nada a ninguém, nem aos bancos, atualmente é que existem seguros e quando as seguradoras estão aflitas vem o Estado, como aconteceu recentemente.
Quando cheguei à Suíça, nos idos anos sessenta, fiquei impressionado com o número de idosos que se passeavam pelas ruas e jardins de Lausanne. Um querido amigo dizia-me;- Já reparaste que viemos parar a um país de velhos!-.
Efetivamente, em Lisboa e pelo menos nas grandes cidades, os nossos idosos ficavam em casa. A minha avó só saía da casa da Alameda, quando íamos de férias, para um automóvel que a transportava para Arganil, onde vivia o meu tio. Por outro lado a esperança de vida era, nos anos sessenta de 60,7 anos e agora é de 79,4 e isto muito à custa do Estado Social e sobretudo do nosso Serviço Nacional de Saúde, e podemos agora, ver nos jardins e ruas das cidades, os nossos idosos, até quando?
Todas estas conquistas o governo de mãos dadas com a Troika quer destruir. Vamos andar 50 anos para trás? A diferença é de que antigamente os netos sustentavam as avós e agora com o aumento galopante do desemprego são os avós que tem muitas vezes q ajudar financeiramente os filhos e os netos.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A REVOLTA DAS BATAS BRANCAS




A REVOLTA DAS BATAS BRANCAS
 

Os profissionais da saúde têm uma especial sensibilidade para as dificuldades económicas dos mais carenciados, com algumas exceções. claro. Estes ultimos como dizia Abel Salazar, estão entre “ aqueles que só sabem medicina nem medicina sabem”, ou seja não observam de uma forma holística.

A teimosa politica, neoliberal, de mais e mais austeridade proposta pela troika e executada pelo governo PSD/CDS, ao empobrecer as classes mais fracas e desfavorecidas, demonstra uma insensibilidade atemorizadora, conduzindo a situações angustiantes na circunstância de maior debilidade do homem, a doença.

Os médicos e os outros profissionais da saúde presenciam no seu dia-a-dia a miséria humana que regressou aos nossos hospitais e centros de saúde. Foi assim que a greve dos médicos em Portugal atingiu uma adesão nunca vista e pela primeira vez na história recente teve o apoio dos movimentos representativos dos utentes.

Nós sabemos que quando uma terapêutica não está a resultar na cura do doente temos obrigação de a mudar. O mau clinico, assim como o mau dirigente, é aquele que não houve as queixas do doente, ou do povo, e do alto do seu pedestal insiste na mesma terapêutica e afirma de maneira soberba:- “a culpa é do doente”, leia-se do povo!

As greves das batas brancas não ocorreram só em Portugal. Anteriormente tinha havido no Reino Unido, em defesa do NHS e, neste verão, surgiram em todos os países duramente tocados pela crise e pelas medidas prescritas pelos diversos governos europeus.

Nas ruas de Madrid, os médicos espanhóis desfilaram recusando obedecer às novas medidas do governo Rajoy que, entre outras, pôs fim aos cuidados gratuitos aos estrangeiros sem papéis, provocando assim um crime de saúde pública.

Na Grécia, os protestos não são apenas pela defesa dos emigrantes, mas da sua população (como em Portugal). Este país enfrenta uma verdadeira crise humanitária e viu cortes de 25% no orçamento da saúde e a assistência gratuita e universal completamente suprimida

Com as medidas recentes de poupança suplementar de 1,4 milhões de euros nos hospitais e nos centros de saúde, os medicamentos faltam cada vez mais, devido ao aumento das faturas por pagar aos laboratórios.

Em Roma, outra cidade berço da nossa civilização, as batas brancas estão na rua (médicos, enfermeiros e farmacêuticos) recusando uma grande parte das medidas adotadas esta semana pelo governo Monti.

Finalmente, também na Alemanha muitos médicos contestam as privatizações forçadas da oferta dos cuidados hospitalares, desencadeados há alguns anos, que põem em causa, segundo estes, a qualidade dos cuidados prestados aos utentes. A queda do Império Romano começou em Roma.

O alerta deve ser lançado aos governantes europeus, numa democracia nenhum cidadão pode ser privado ao acesso aos cuidados de saúde por razões económicas.

 

 



segunda-feira, 10 de setembro de 2012

FOTO HISTORICA

A tipografia Liberty de Lamas & Franklin, situada na Rua do Livramento em Alcântara, foi onde se reuniram oficiais e sargentos da armada para tomarem de assalto o quartel dos marinheiros na madrugada de 4 de Outubro de 1910. Estes marinheiros comandados por Carlos da Maia foram acompanhados por civis, que aguardavam a hora do assalto no Grémio Republicano de Alcântara.
Carlos da Maia entrou com os seus camaradas Ladislau Piçarra e Sousa Dias no quartel dos marinheiros e intimou o 1º comandante do corpo, almirante Pereira Viana a render-se, este respondeu fazendo fogo com o seu revolver, ferindo 5 homens e recolhendo mais tarde a casa muito ferido.
Às 22 horas, Carlos da Maia embarcou num vapor da alfândega apreendido pelo S Rafael e assaltou o navio D. Carlos.
Julgo que já não existe esta tipografia que pertencia provavelmente a algum maçon.

Bibliografia: As Constituintes de 1911  e os seus deputados,1911

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

CINEMA Sambizanga 1972 filme pt/eng sub HIKORE KUDUROPEDIA


THE TAINTED MILK OF HUMAN KINDNESS


The tainted milk of human kindness*
(O leite envenenado da ternura humana)

Parafraseando Lady Macbeth em Macbeth, 1º ato, cena 5 
«It is too full of the milk of human kindness
To catch the nearest way…»

 

Pediatras e biologistas de um hospital Sul-africano defrontaram-se com o desafio de determinar o modo de contaminação pelo HIV dum bebé de 2 meses e meio, alimentado exclusivamente ao leite materno cuja a mãe era seronegativa.
Neste caso, bem ao modo do Dr. House, a colheita de uma boa história clinica foi fundamental para se chegar ao modo de transmissão do vírus.
A primeira ideia que surge é da contaminação por material não esterilizado, frequente em países africanos ou do efeito janela, etc.. Eu tratei um caso semelhante, filho de três meses seropositivo de mãe seronegativa. Tinha sido transferido de Angola suspeitou -se de transmissão por material contaminado (agulhas das vacinas).
Mas este não foi o caso do pequeno sul-africano.
Uma boa anamnese permitiu rapidamente suspeitar da transmissão do vírus pelo leite, não pelo da mãe mas sim por uma tia. Com efeito esta tinha aleitado, algumas vezes, o bebé a seguir à sexta
semana. Posteriormente confirmou-se a seropositividade da tia, assim como do seu próprio filho. Foi bem o leite envenenado da ternura.
O modo de contaminação foi comprovado laboratorialmente na Africa do Sul e também por uma equipa de virologistas em Londres
Os autores referem que o aleitamento partilhado é uma prática que não é excecional na Africa do Sul e estima - se em 1% segundo algumas fontes.
Apesar de nunca ter vivido em Africa diria que é também muito usual em Angola e provavelmente em muitas outras regiões africanas, onde infelizmente graça a Sida.
Este caso muito bem documentado alerta-nos para os perigos dos aleitamentos partilhados e da necessidade sempre de uma história clínica cuidadosa e de um conhecimento da vida para além dos livros de Medicina.
 
Ao ler este case report, veio-me à memória um filme lindíssimo, Sambizanga, que vi em Lausanne. Aqui também durante a viagem de regresso a Luanda da atriz principal depois de procurar o paradeiro do seu marido, militante do MPLA, assassinado na sede da PIDE, o seu filho era amamentado por outra negra que vinha no mesmo transporte.
Achei na altura uma cena comovente de solidariedade, mas estávamos em 1972 e ninguém pensava no vírus da sida.
 
Publicarei em breve o filme que vale a pena ver mesmo na net.

*Goedhals D e coll: The tainted milk of human kindness. Lancet 2012; 380:702

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

SERVIÇOS DE UTILIDADE PUBLICA


SERVIÇOS DE UTILIDADE PUBLICA

 

Não há comentador, jornalista, ministro, secretário de estado ou assessor, melhor ou pior pago, que não fale de serviço público. Para baralhar mais o Conselheiro, já alguém lhe chamou o Deng Xiao Ping português, porque a exemplo deste não pertence ao governo, nem ao Partido mas manda no país, disse perante as câmaras da TVI, que se pode vender a RTP e ela continuar a ser Serviço de Utilidade Pública.

Pasme – se o grupo capitalista que comprar este canal de televisão, baratinho (pois está cheio de dívidas!) não irá lucrar em nada; pois terá que continuar a fornecer um serviço económico e tablado para todos os portugueses do continente e ilhas adjacentes. 

 Regressemos quatrocentos anos para trás, ao reinado de Jaime de Inglaterra. Nessa época foi fundada a cidade de Jamestown e um grande descontentamento manifestou-se entre os viajantes que tinham de atravessar os rios em barcaças. Os barqueiros tinham uma posição privilegiada e exigiam direitos abusivos. Mau serviço e tarifas elevadas fizeram que muitos viajantes arriscassem, correndo muitos perigos, passar a nado ou fossem obrigados a grandes desvios.

Estes passadores ganharam durante anos muito dinheiro o que se tornou um escândalo público até que Lord Hale ( 1609 -1676) estabeleceu um regulamento de policia, que determinava  a profissão de passador  diferente das outras. Pois esta revestia-se de um caracter público, e que impor tarifas excessivas era contrário ao interesse geral. “ Cada barcaça devia ser submetida a um regulamento, a saber: assegurar um serviço continuo com um barco em bom estado por meio de uma portagem razoável”.

Em poucas palavras este Lord, contemporâneo de Shakespeare, definiu o serviço de utilidade pública.
Até aos nossos dias muitos outros serviços juntaram-se à passagem do rio e à lista das utilidades públicas: transportes, distribuição de água, saneamento básico, gaz, eletricidade, rádio e televisão. 

Ao nosso governo compete como fez Lord Hale publicar normas que defendam o povo e imponham tarifas razoáveis aos bens de interesse público. As riquezas naturais de um país, como a água, as barragens, em suma as forças hidro elétricas pertencem ao povo e compete aos governantes controlá-las.

Esta história da história vem contada no livro, de Franklin Roosevelt, Looking Forward,* no capitulo VIII que termina com o seguinte texto:- “ O governo federal não abandonará nunca a sua soberania e o seu direito de controlo sobre os recursos naturais do país, enquanto for Presidente dos Estados Unidos”.

*Livro que aconselho vivamente a leitura aos nossos governantes

 

III GUERRA MUNDIAL



A III Guerra Mundial

“...e os alemães e os seus canhões.”

da canção João e Maria, de Chico Buarque

 

O acaso levou-me a um livro de Georges Valois, Le Cheval de Troie – Réflexions sur la philosophie et sur La Conduite de la Guerre, escrito em 10 de Dezembro de 1917, no 4º ano da I Guerra Mundial, e editado pela Nouvelle Libraire Nationale (2ª ed. de 1918) em Paris. 

Georges Valois (1878 - 1945) foi um pensador e politico francês que previu uma nova forma de organização económica e social na base dos valores nacionalistas e do reformismo social, o que o levou ao longo da sua vida a tomar posições radicais de direita e de esquerda.

Foi capturado a 18 de Maio de 1944, no hotel d'Ardières, pela Gestapo e morreu de tifo, em Fevereiro de 1945, no campo de concentração nazi de Bergen – Belsen. Neste campo também morreram, no mesmo ano, Anne Frank e a sua irmã. 

O livro Le Cheval de Troie é um panegirico contra a Alemanha. Além disso, no capítulo sobre a conduta da guerra, propõe uma reforma completa do exército e prevê a vitória das forças aliadas pela utilização dos tanques, a que ele chama o Cavalo de Troia.
Valois ao escrever este livro não antevia, embora escreva que a União da Alemanha seria sempre um perigo para a Europa, uma II Guerra Mundial ainda mais mortífera que a primeira. 

O que me leva a partilhar convosco a leitura deste livro não é com certeza a condução da guerra (La Conduite de la Guerre) com a entrada dos tanques, o Cavalo de Troia.
Valois sempre defendeu a utilização desta arma, mas foi o exército inglês que a usou, atravessando em segredo a linha Hindenburg com 150 a 200 tanques de guerra, no dia 20 de Novembro de 1917.
Este dia marcou uma viragem no destino da guerra, até lá a frente alemã tinha sido inviolável.
O resto da história todos a conhecem: a vitória dos aliados e a assinatura do tratado de Versalhes, com todas as consequências para a Alemanha 

Há várias curiosidades neste livro e uma delas é ter sido publicado com várias páginas censuradas, estava-se em plena guerra…( ver acima) 

Na introdução, o autor faz várias reflexões filosóficas, entre elas conta que em 1914 a França oficial (la France officielle) acreditava que o homem prosseguia o seu caminho na via do progresso e estava sobre o ponto de conquistar o poder de comandar a guerra e expulsá-la do planeta.

A Grande Guerra, segundo Valois, não é contra a Alemanha mas sim contra a Deutsche Kultur. Insurge-se contra aqueles que pensam que a guerra é entre a democracia e a autocracia e que o problema ficaria resolvido com o aparecimento da democracia na Alemanha.

Escreve: “ Qu'elle soit autocratique, aristocratique ou démocratique, l'Allemagne unie demeurera le lieu du monde où les philosophes ont identifié les destinées de la civilisation et les destinées d'une nation”, citando aqui a análise de Emile Boutroux  (prefácio da obra de Santayana, L'Erreur de la Philosophie allemande,1917): “ Le monde doit, dans toutes ses parties, être artificiellement organisé et qu'il appartient à l'Allemagne, et à la elle seule, d'effectuer cette organisation”.

Apoiado nestas ideias, o autor é frontalmente contra a assinatura de uma “paix blanche”, quer dizer sem a destruição do exército, do império alemão e da dominação da Deutsche Kultur.

A Alemanha, nesta data, avançava com a proposta de paz sem anexações nem indeminizações. George Valois teme essa ideia e diz: ” Une impulsion unique, venue de Berlin, organisant l'Europe, puis la planète, conformément au plan allemand, à l'humeur allemande, à la science allemande, à la mystique allemande, soumettant les hommes aux conducteurs allemands, disloquerait l'humanité en moins d'un demi-siecle, et provoquerait l'ecroulement de la civilisation. Tout serait à recommencer.”

Palavras proféticas, 20 e tal anos mais tarde surgem Hitler, o nacional-socialismo e as teses da superioridade ariana. O que não imaginava o autor é que a sua vida acabaria num campo de concentração nazi.

Outra crítica do autor à intelligentzia francesa é que esta não acreditava, em 1914, na possibilidade de uma guerra entre a França e a Alemanha, nem sequer entre as nações civilizadas. “ La guerre, pensait-il, c'est le fait des nations barbares; nous autres civilisés, nous avons la lutte, la lutte économique”, “ Se peut-il que, dans notre siècle de haute civilisation, la guerre soit possible?”

Sim, foi possível, e foram muitas durante o século XX. Será que só agora, na entrada do século XXI, a guerra ou a luta passa a ser apenas económica, como diziam os dirigentes franceses em 1914?

Será que o fascínio do povo alemão pelo Deutsch Kultur, a constituição da Mittel-Europa e o Império Alemão já não existe?

A Alemanha atual quer seguramente uma Europa forte, com uma moeda forte que confronte o império americano e o asiático. Para isso abriu as fronteiras a leste e irá fazer de novo o pacto germano-soviético, digo russo, considerando os povos do sul seus inferiores.

Como dizia Georges Valois: - a organização do mundo será feita à semelhança da Alemanha e cabe a ela, e só a ela, efetuá-la.

 

 

 


 

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A Foto: O PERIGO DO RACISMO

A Foto: O PERIGO DO RACISMO: Las mentiras del poder: Racismo puro É preciso combater todas as formas de racismo

quinta-feira, 26 de julho de 2012

dia dos avós


Hoje é o dia dos avós e estes são os meus dois netos

terça-feira, 24 de julho de 2012

HOMEM VENCENDO A MORTE- ESTATUA EM CHICAGO


EU LI PARA TI

Não morrer ou não ser sujeito à morte tem sido objeto de fascínio pela humanidade, pelo menos desde o início da História. A Epopeia de Gilgamesh, uma das primeiras obras literárias, que remonta a meados do século XXII a.C., é essencialmente a busca de um herói pela imortalidade.  
O investigador Kenneth Hayworth quer tornar este sonho realidade e afirma que está ao alcance da ciência.
Este brilhante engenheiro em neurociências, juntamente com outros, reunidos numa corrente chamada o “ transumanismo”,está convencido que a ciência e a tecnologia permitirão um dia ultrapassar os limites físicos e mentais da condição humana na morte.

O cérebro para os transumanistas é uma máquina complexa, mas que poderá finalmente ser reproduzida no futuro pela informática. Estão também convencidos que o conectoma (palavrão que inventaram para definir de maneira esquemática o mapeamento de todas as conexões dos neurónios e sinapses) contém a consciência humana.
Mesmo com estes princípios parece longínqua a meta da imortalidade.
É preciso chegar a um conhecimento completo do conectoma, para poder reproduzi-lo artificialmente. Mesmo assim, para fazer reviver um cérebro, é ainda necessário que este esteja perfeitamente conservado. É aqui que intervém o génio e a loucura de Kenneth. O génio porque este investigador americano conseguiu descobrir um processo químico de conservação do cérebro à escala do nanómetro cuja eficácia nos ratinhos é impressionante. A ele se deve “ uma técnica automatizada de corte do cérebro com a ajuda de um micrótomo” descrita no site Futura Santé, técnica que lhe valeu ser notado por numerosas equipas científicas nos Estados Unidos.
A loucura está evidenciada nas suas declarações à revista The Chronicle, em que afirma contribuir com o seu próprio cérebro. Encara com efeito um suicídio assistido para que o seu cérebro ainda jovem e em perfeito funcionamento possam ser utilizado para experiências de ressuscitação. A ideia não é bem acolhida pela comunidade científica não só porque levanta problemas éticos mas também porque os pressupostos nos quais se baseia estão longe de ser aceites por todos.
 



GUERNICA



FOI HÁ 75 ANOS

terça-feira, 17 de julho de 2012

CROMOS



Li e fiquei espantado pelo arrazoado com que o Sr. Raposo nos brindou no Expresso “on line”, no dia 10 de Julho, com o artigo:-“ a greve dos médicos é uma comédia”. Acho que já tinha escrito outro belo texto sobre os enfermeiros.
Perguntamos: - o que é que o senhor terá contra os técnicos de saúde?
Oh Sr. Raposo, estamos de facto em 2012, em pleno seculo XXI e não queremos o regresso ao passado. Para afirmar que esta é uma classe privilegiada é preciso conhecer um pouco da sua história. Na década de cinquenta, os médicos começaram a ter consciência da sua situação. Assim numa Assembleia realizada em Lisboa, em 30 de Janeiro de 1953, é apresentada uma moção sobre a grave crise que a classe atravessa e é proposta a constituição duma Comissão de Estudo da situação da profissão. À Ordem chegavam, cada vez em maior número, pedidos de apoio económico para associados e familiares em situações graves. (cf. As Carreira Medicas em Portugal: Evocação e Defesa, ed de 2007, Sindicato dos Médicos da Zona Sul/FNAM)
Perante a incerteza do seu futuro profissional os jovens médicos da altura reunidos no chamado “movimento dos novos” com o apoio dos Bastonários da Ordem dos Médicos, Professores Jorge Horta e Miller Guerra, apresentaram à classe o relatório das carreiras médicas que foi aprovado por unanimidade, em Assembleia Regional Extraordinária, realizada em Lisboa, assim com a eleição de uma comissão para estudar o problema das CARREIRAS MEDICAS.
O relatório sobre as carreiras médicas foi aprovado em A G da Ordem dos Médicos em junho de 1961, depois de largamente debatido pela classe médica. O relator foi um dos vultos da Medicina Portuguesa Professor Doutor Miller Guerra. O movimento médico, como foi chamado na altura e que os jornalistas, desse tempo, deram larga divulgação (a possível!) levou a que o chefe do governo Oliveira Salazar nomeasse o primeiro ministro da Saúde (antes a saúde estava debaixo da tutela do Ministro do Interior) em Portugal, o Prof. Henrique Martins de Carvalho. Este declarou publicamente “ que foi o maior contributo que um sector profissional até à altura tinha dado para um problema Nacional que ao sector dizia respeito”. Bonitas palavras que caíram em saco roto, pois foi só depois do 25 de Abril com a aprovação pela Assembleia da República do Serviço Nacional de Saúde que as Carreira Médicas passaram a existir no nosso país.
É pela defesa da que foi considerada a maior conquista do 25 de Abril, e que o atual governo quer destruir, que os médicos fizeram greve e compareceram em massa no dia 11 de Junho à frente do ministério da saúde. A maior greve de batas brancas de sempre.
O seu escrito é um insulto a todos os médicos portugueses e também a muitos que já faleceram e lutaram toda a sua vida por melhor assistência médica no nosso país.
 O Sr. afirma a dada altura: - “Um médico seja ele qual for, tenha ele a idade que tiver, é alguém que está numa posição privilegiada”. Engana-se redondamente a maioria deles em 2012, já nem sequer pertencem à classe média e muitos, devido à eficiência dos seus ídolos neoliberais têm o emprego ameaçado. Aliás é curioso que quando esteve em discussão no país o serviço nacional de saúde, os conservadores liberais alertavam para o perigo da proletarização dos médicos e foram estes anos depois, os políticos neoliberais, que conduziram à proletarização da classe médica.
O que talvez o senhor não saiba é que as Carreiras Médicas servem também para manter a dignidade profissional na defesa dos princípios deontológicos de que não abdicam. Idêntica atitude deveria ter todos os profissionais que estão ao serviço das populações sejam a cuidar da saúde seja a esclarecê-los.

Para o senhor o facto do emprego garantido ser só por si um privilégio, faz lembrar Grotius que defendia a escravatura como segurança de emprego para o escravo e a sua família e que preconizava, porém, que o negreiro não exagerasse nem na dureza do trabalho nem na sua crueldade.
 Mas isto era no seculo XVII!














Jornal «Avante!» - Argumentos - O mundo é deslumbrante, mas não é bonito

Jornal «Avante!» - Argumentos - O mundo é deslumbrante, mas não é bonito

segunda-feira, 9 de julho de 2012

CONTO I

Como prometido aqui vai um conto escrito pelo meu tio Lino.


ESTAVA TUDO DITO


Na minha adolescência residi num bairro elegante dos arredores de Lisboa, cujos moradores na sua grande maioria, eram gente abastada da alta burguesia.

Mesmo em frente da minha casa havia um palacete onde vivia um senhor de ar muito importante, que segundo se dizia, era director de um Banco. Com ele viviam a mulher e dois filhos, assim como um grande numero de serviçais, " machos" e fêmeas", de que se destacavam por menos vulgares, um preto e uma "nurse" de nacionalidade alemã.

Os senhores, marido e mulher, entravam e saíam do palacete sempre com imponência, agitando-se a transmitirem recados de última hora à criadagem que os envolvia em submissos salamaleques. Um belo automóvel, "espadalhão" sempre a luzir e um motorista fardado a preceito esperavam-os na rua junto ao portão.

No pequeno percurso que ia da porta principal do palacete até ao carro, os senhores primavam por não ligarem a nada nem a ninguém que os rodeava, evitando claramente lançarem um simples golpe de vista pela vizinhança.

Eu e a minha avó éramos espectadores fiéis e atentos de todo aquele aparato. Corríamos à janela para assistir às chegadas e às partidas dos grandes senhores, gozando o espectáculo, apreciando-o intimamente, mas sem trocarmos nunca uma única palavra sobre o que víamos. Verdade, verdade que dentro de nós sentíamos vontade de dizer qualquer coisa, de esboçar um comentário, mas o certo é que nada saía, permanecendo sempre mudos, estarrecidos.

Até que um belo dia, postos mais uma vez perante a cena, a minha avó desabafou e virando-se para mim, disse-me:
- OS MERDAS!
Estava dito, o que devia ser dito.

Lino Teixeira